UOL Notícias Cotidiano
 
05/04/2011 - 07h00

Motos em São Paulo crescem 118% na década e mudam o trânsito da cidade

Fernando Mendonça
Do UOL Notícias
Em São Paulo

O número de motos em São Paulo mais que dobrou de 2001 a 2010, cresceu 118%. O avanço impressiona se comparado com o dos carros de passeio, que, no mesmo período, foi de 23,56%. A porcentagem de crescimento das motos foi cinco vezes maior do que a dos carros.

Essa multidão de veículos motorizados sobre duas rodas -12,7% da frota da capital - é sentida no trânsito, desperta a atenção das autoridades e traz mudanças de comportamento. Há alguns anos dirigia-se de olho nos outros carros e nos pedestres. Atualmente os motociclistas têm lugar de destaque na atenção de quem dirige.


Por circular entre as filas de automóveis, as motos podem vir por qualquer lado. Essa condução chegou a ser proibida pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB), de 1997. Segundo a primeira redação do CTB, as motos deveriam transitar sempre pelo lado direito da pista, sendo vetado a elas circular entre as filas. O texto final do código, porém, excluiu essa exigência.

A pressa pode explicar a modificação. Da atual frota de 890 mil motos de São Paulo, cerca de 200 mil pertencem a motoboys, que usam o veículo para o trabalho, ganham por viagem que fazem e, por isso, não podem perder tempo parados no trânsito atrás de carros de passeio. O ziguezague nas vias é quase sempre questão de sobrevivência. E, algumas vezes, de morte, também.

O presidente do Sindicato dos Trabalhadores Motociclistas da Cidade de São Paulo (Sindimoto-SP), Aldemir Martins de Freitas, conhecido como Alemão, justifica a pressa dizendo que o asfalto é o "escritório" do motoboy, único lugar que ele tem para demonstrar seu desempenho. Para o presidente do Sindimoto, a disputa entre os veículos por espaço nas ruas é normal.

O resultado disso é que em cada três acidentes com morte ocorridos nas ruas de São Paulo em 2009, um teve participação direta de moto. A estatística é do Relatório de Acidentes de Trânsito da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), mais recente estudo sobre como o trânsito mata na cidade.

Também os pedestres ainda não se acostumaram com a nova realidade. Se antes para atravessar a rua bastava assegurar-se de que todos os carros estavam parados, agora não é mais assim. As motos podem chegar pelo meio das filas de veículos parados e atingir o pedestre. Elas já respondem, hoje, por 19% das mortes por atropelamento na cidade.

Motofaixas

A Prefeitura de São Paulo ensaiou medidas para tentar melhorar a situação. Começou criando faixas exclusivas para motos. A primeira foi em 2006, na avenida Sumaré, zona oeste de São Paulo. Deu certo. A segunda, na avenida 23 de Maio, principal artéria viária entre as zonas norte e sul de São Paulo, deu errado, todos reclamaram – incluindo os motoqueiros –, e em três dias os cones que separavam motos de carros foram retirados da avenida.

No ano passado a prefeitura insistiu na ideia e inaugurou uma nova motofaixa, dessa vez na rua Vergueiro, paralela à avenida 23 de Maio. Com 3,5 quilômetros, a faixa exclusiva liga a zona sul à região central de São Paulo. Até o momento ela vem sendo usada sem problemas pelos motociclistas, assim como a 23 de Maio, que continua liberada para eles.

Os motociclistas querem novas faixas em outras avenidas da cidade. A marginal Tietê é uma delas. O Sindimoto-SP tem até projeto pronto que foi encaminhado à prefeitura, mas, até agora, nenhuma medida efetiva foi adotada. Alemão prevê que a chegada de motos mais baratas da Índia e da China tornará a situação mais crítica do que já está.

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