UOL Notícias Cotidiano
 
01/06/2009 - 07h10

Fenômeno que atingiu SC foi raro, mas pode se repetir, diz meteorologista

[selo]
Gabriela Sylos* Enviada especial do UOL Notícias Em Blumenau (SC)

A tragédia que assolou Santa Catarina no final do ano passado foi causada por uma combinação rara de efeitos climáticos que podem voltar a se repetir. "Se já aconteceu uma vez, pode voltar a acontecer, e em qualquer época do ano. Isso pode demorar dois meses ou 20 anos", explica o chefe da divisão de operações do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec/Inpe), Marcelo Seluchi.

As marcas da enchente

  • Flávio Florido/UOL

    Um coelho de pelúcia, coberto de lama, permanece largado em uma casa atingida pelos deslizamentos na cidade de Ilhota


A quantidade de chuva foi considerada anômala. Desde que o Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) começou a fazer medições em Florianópolis, em 1961, foi o mês de novembro mais chuvoso da história, com registro de 535,8 milímetros (cada milímetro equivale a um litro de água por um metro quadrado) em 24 dias - a média histórica do mês era de 140 milímetros.

Os dois principais fatores que explicam o fenômeno do final de 2008 foram a formação de um anticiclone (sistema de alta pressão) sobre o Oceano Atlântico, que trouxe muita umidade para o continente, e a presença de um sistema de baixa pressão sobre Santa Catarina e Paraná, o que provocou a subida de massas de ar e a formação de nuvens carregadas.

"Como choveu demais, o solo foi alterado e ficou saturado", explica Maria Lúcia Hermman, geógrafa e pesquisadora do grupo de estudos de Desastres Ambientais da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina). "Não havia o que segurasse tamanha quantidade de água. O solo alterado era muito espesso", afirma. Com isso, não só as encostas que costumavam deslizar vieram abaixo, como também áreas antes não consideradas de risco.

"Não foi possível especificar o volume exato da chuva, mas avisamos sobre os riscos com antecedência à Defesa Civil Nacional. Dias depois já elevamos o alerta", diz Seluchi. "Nós tentamos tirar as pessoas das encostas, mas sempre há muita resistência", argumenta Ana Paula Zenatti, gerente de apoio logístico da Defesa Civil de Santa Catarina. Ela lembra que as chuvas atingiram também áreas sem registro de deslizamento.


Para evitar novas tragédias, o governo criou há dois meses um Grupo Técnico-Científico (GTC), com estudiosos de diferentes áreas, para desenvolver um "mapa de risco" do Estado. "Estamos estudando as condições do solo e fazendo uma varredura para que os terrenos possam ser liberados ou não", afirma a geógrafa Maria Lúcia Hermman. Mas o relatório só deve ficar pronto apenas em cerca de um ano.

Enquanto isso, a geógrafa lista uma série de soluções que deveriam ser tomadas pelas autoridades. "Precisa combater a ocupação irregular das encostas, porque aquelas casas são geralmente instáveis, respeitar os declives mantendo os mesmos sem construções, evitar o adensamento nas margens dos rios, preservar áreas verdes e manter as já existentes áreas de preservação, não compactar tanto o solo e, a longo prazo, fazer obras de engenharia, como desvios de canal", explica.

A Defesa Civil estadual afirma que está trabalhando com uma "mudança cultural". "Como é difícil tirar as pessoas das áreas de risco, elas têm que entender que vivem em uma área de risco", diz Zenatti. "Estamos preparando material educativo para ensinar às pessoas os modos de prevenção, como manter as ruas limpas e prestar atenção no movimento das encostas", afirma.







* Colaborou Guilherme Balza, em São Paulo

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