56,1% não confiam no trabalho da PM no Rio; para 57%, bala perdida é o maior medo

Juliana Castro*
Do Rio de Janeiro

Atualizada às 16h58h.

Seqüestro de turistas no Rio

A Polícia Civil afirma ter encontrado o cativeiro onde foram mantidos o diplomata vietnamita e três chineses seqüestrados sábado no acesso ao Corcovado. Um dos chineses, Liu Chang Hong, ajudou a encontrar o cativeiro, que fica em uma casa dentro da Vila Cruzeiro. Cerca de 350 policiais civis e militares ocupam a favela desde o início desta manhã.


Mais de metade - 56,1% - da população da região metropolitana do Rio de Janeiro não confia no trabalho da Polícia Militar. Outros 36% confiam apenas em parte. Já 6,9% disseram confiar plenamente no trabalho.

Os dados fazem parte de pesquisa divulgada hoje pelo Instituto de Segurança Pública do Rio de Janeiro. O levantamento inédito traça o perfil da população que sofre com a violência cotidiana na região metropolitana do Estado.

O relatório coloca em cheque também a confiança da população na capacidade da Polícia Civil. Segundo o levantamento, 42,9% dos entrevistados disseram não confiar no trabalho da Civil. Já 36% confiam em parte, enquanto outros 6,9% acreditam totalmente no trabalho.

Para demonstrar a falta de confiança da população nas autoridades públicas, o levantamento aponta ainda a margem de subnotificação, ou seja, quando a pessoa é roubada, mas não faz o registro na delegacia.

Nos últimos cinco anos, por exemplo, a pesquisa revela que 9,7% dos entrevistados foram furtados ou sofreram algum tipo de tentativa de furto e apenas 23,6% fizeram o boletim de ocorrência.

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"A taxa de subnotificação é bem mais alta no Brasil do que em países desenvolvidos. Pode ser, sim, uma questão de confiança na polícia", declarou Vanessa Campagnac, coordenadora do projeto. "Você tem o B.O e você não sabe se aquilo é real. Com esta pesquisa você tem um panorama muito mais sólido das estatísticas das vítimas", completou.

O estudo aponta ainda outra crítica aos policiais. Para 15% das pessoas que já tiveram contato com a polícia, a linguagem usada no tratamento para com as vítimas foi grosseira. Outros 13% disseram ter sofrido humilhação por parte dos profissionais.

População sente medo da polícia

    Em contrapartida, o serviço da PM mais bem avaliado foi o de auxílio e socorro às pessoas. Segundo o levantamento, 45,8% dos entrevistados classificaram como "bom" ou "ótimo" o atendimento policial em emergências. A maior crítica neste quesito gira em torno da distribuição de efetivo que é "ruim" ou "péssimo" para 70,3%.

    Outro dado divulgado diz respeito ao maior medo da população que mora na região metropolitana do Rio de Janeiro: a bala perdida. Ser alvejado é o maior receio dos que saem diariamente às ruas --57% dos entrevistados. Ser um transeunte em meio a um tiroteio é o temor de 43% da população.

    Retrospecto
    O estudo traz ainda uma abordagem geral do último crime sofrido por cada um dos entrevistados nos últimos cinco anos. Agressão ou ameaça são os crimes que lideram a estatística com 18,9%, seguidos de perto por discriminação (18,1%), roubo de bem (9,9%) e furto de veículo (5,9%).

    Ameaça e agressão lideram também o ranking de repetições dentro deste módulo de pesquisa, já que 6,8% destas pessoas admitiram terem sido agredidas ou ameaçadas por pelo menos três vezes.

    As mulheres são as que mais sofrem com este tipo de violência compondo a pesquisa com 66%, contra 34% dos homens. A rotina de vida também é alterada a partir do momento que a ofensa sexual ou agressão é sofrida (86% e 66% respectivamente).

    A Pesquisa de Vitimização foi realizada por trinta pesquisadores durante dois anos e meio. A equipe percorreu mais de 75 mil domicílios da região metropolitana do Rio entrevistando as pessoas para contabilizar e traçar um perfil das vítimas da violência urbana.

    * Colaboraram Dennys Alves e Rafaella Javoski.

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