Filho de vereador participou de chacina na favela do Barbante, diz delegado

Juliana Castro*
No Rio de Janeiro

O delegado da 35ª Delegacia de Polícia (Campo Grande) Marcus Neves disse nesta quinta-feira (21) que Luciano Guimarães, filho do vereador Jerônimo Guimarães (PMDB), o Jerominho, "participou efetivamente" como mandante e executor da chacina na favela do Barbante. Sete pessoas foram mortas entre a noite da última terça-feira (19) e quarta-feira (20) na favela localizada na zona oeste do Rio de Janeiro.

"Era um grupo de 17 [milicianos], ele mandou executar umas pessoas e executou pessoalmente outras", disse após reunião da CPI das Milícias na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro. Segundo a polícia, todas as vítimas são inocentes e foram escolhidas aleatoriamente para serem executadas.

Ação foi "estúpida, violenta
e burra", diz Beltrame

O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, classificou a chacina na favela do Barbante (zona oeste) como mais uma atitude "estúpida, violenta e burra" da milícia no Estado. O secretário afirmou também que a ação no atentado foi de Luciano Guimarães, filho do vereador Jerônimo Guimarães, o Jerominho.

Das 17 pessoas que teriam participado da chacina, 10 já foram identificadas pela polícia, entre elas o próprio Luciano Guimarães, um bombeiro, dois policiais civis e três policiais militares. Parte deles já foi denunciada pelo Ministério Público (MP) por formação de quadrilha e diversos homicídios. A identificação da quadrilha foi possível porque moradores do Barbante anotaram placas dos carros com os quais os criminosos entraram na favela.

Neves afirmou que a motivação do crime seria eleitoral a fim de beneficiar candidatos ligados à milícia, entre eles, Carminha Jerominho, filha de Jerominho.

"A leitura que nós estamos fazendo é que esse atentado teve o objetivo primeiro de criar a idéia na comunidade que a presença de milicianos é imprescindível e que esses candidatos deveriam ser prestigiados pela comunidade no sentido de eleger essas pessoas para que a milícia permanecesse na localidade", afirmou.

O presidente da CPI das Milícias, deputado estadual Marcelo Freixo (PSOL) disse que a hipótese do delegado Marcus Neves é "possível". "Isso mostra a capacidade de violência absurda desse grupo", declarou. Segundo Freixo, o próximo passo da CPI é identificar os braços políticos dos milicianos.

"O objetivo desses milicianos, que são muito mais organizados que os traficantes, é também enganar a comunidade que atacaram. Eles querem mostrar que a população vai sofrer muito mais se os traficantes entrarem ali", afirmou Neves.

* Com informações da Agência Estado

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