Chacina deixa quatro mortos em Goiás, entre eles um menino de 12 anos

Sebastião Montalvão
Especial para o UOL
Em Goiânia

Um garoto de apenas 12 anos de idade foi uma das quatro vítimas de uma chacina na tarde de ontem, em um sítio nas proximidades de Anápolis (54 km de Goiânia). Leonardo Gomes Guimarães recebeu dois tiros na cabeça e chegou a ser socorrido, mas morreu na manhã de hoje no Hospital de Urgências do município. Sebastião Gomes Guimarães, 71, e Egmar Gomes Guimarães, 39 (avô e pai de Leonardo), também foram assassinados.

A polícia acredita que o motivo da tragédia seja uma disputa entre a vizinhança pelo uso de um manancial de água que corta as propriedades da região. No sítio existe uma represa e Sebastião pretendia ampliá-la, o que teria provocado a revolta dos vizinhos. "Para nós, essa é a hipótese mais provável", ressalta o delegado responsável pelas investigações, Glayson Reis, do 3º Distrito Policial de Anápolis.

A quarta vítima do crime foi o operador de máquinas Waldivino Gomes dos Santos, de 49. Ele prestava serviços na propriedade dos Guimarães justamente cavando o solo para a ampliação do lago. Era o primeiro dia de trabalho dele no sítio. "Acreditamos que ele estava no lugar errado na hora errada", informou o delegado, que também não descarta a possibilidade de latrocínio. "Mas isso é muito pouco provável, já nada foi subtraído das vítimas", avalia Reis.

O delegado conta que a questão da disputa pela água foi levantada por uma filha de Sebastião, Maura Gomes Guimarães. "Conversei com ela e, pelo que nos informou esse era o único problema da família. Por isso, essa é a nossa principal linha de investigação", ressalta. Ainda hoje uma equipe de investigadores foi enviada à região para intimar todos os vizinhos.

"Não sei quantas pessoas são, mas quero ouvir todos que moram próximos ao sítio onde aconteceu o crime", revela. O sítio está localizado há 14 quilômetros da cidade e fica próximo a várias propriedades. A dificuldade na investigação, segundo o delegado, é que não há testemunhas e os próprios parentes não souberam precisar quem seriam os envolvidos na contenda pelo uso da água. Além de Maura, que mora em Anápolis, os outros filhos de Sebastião vivem nos Estados Unidos.

Sebastião, Egmar e Waldivino morreram no local. Um vizinho mais próximo contou à polícia que ouviu disparos e se deslocou até a propriedade. Ele teria encontrado os corpos de Sebastião e Waldivino às margens do lago. Egmar estava em um dos quartos da sede e Leonardo estava agonizando na cozinha do imóvel.

Até o início da tarde de hoje o IML ainda não haviam liberado os corpos para o velório e os peritos ainda trabalhavam no laudo. "Não temos como afirmar, mas pelas características acreditamos no uso de pelo menos duas armas. Uma pode ser calibre 38 e a outra uma arma longa. Mas não dá para afirmar sem os laudos", disse Glayson Reis, que tem 30 dias para finalizar o inquérito.

A propriedade onde aconteceu a chacina é pequena e simples, mas bastante rica em água. A poucos metros da casa da família Guimarães, uma bica jorra um volume grande do líquido usado para abastecer a represa já existente, que está cheia. Após sair do lago, a água segue seu curso natural, beneficiando os vizinhos seguintes. Com a ampliação da represa, temporariamente esse fluxo seria diminuído, o que pode ter gerado o atrito entre os vizinhos.

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