Diário da Raposa/Serra do Sol: mais pra Venezuela que pra Brasil

Carolina Juliano
Enviada especial do UOL
Em Pacaraima (RR)

Dá para contar nos dedos as vezes que ouvimos falar do Estado de Roraima nos noticiários nacionais do Brasil. E quando ouvimos, geralmente são assuntos relacionados a corrupção ou a problemas relacionados com a Amazônia. Isso talvez porque Roraima seja, junto com o Acre, o Estado que fica muito mais próximo de outros países da América do Sul do que do próprio Brasil.

Em Boa Vista não seria estranho se de repente Hugo Chávez atravessasse o nosso caminho. A influência venezuelana na região é evidente. À saída do aeroporto internacional, logo à direita, lê-se "Primeiro Batalhão de Polícia Simon Bolívar". O nome do herói que libertou países da América do Sul está sempre em evidência em países como a Venezuela, mas é pouco conhecido no Brasil.

O índio macuxi José Oliveira da Silva vive desde que nasceu na Maloca do Machado, na Raposa Serra do Sol. "O senhor nunca saiu daqui de Roraima?", pergunto. "Saí alguma vez ali para a Venezuela. Para o Brasil nunca fui, não."

Carnaval no Caribe!
Quando o biólogo curitibano - que há quatro anos vive em Boa Vista para desenvolver um projeto de educação ambiental junto à prefeitura da capital - pensa em tirar férias não mais se lembra das praias de Santa Catarina. "Nossa praia é o Caribe e já passei dois carnavais lá e vamos de carro", diz André.

A partir de Boa Vista, pela BR-174, em 2h30 chega-se à fronteira com a Venezuela. Para entrar no país é preciso ter o passaporte e a carteira internacional de vacinação em dia com a vacina contra febre amarela.

A guarda nacional de Hugo Chávez não é lá muito simpática, mas é só arranhar um portunhol e explicar minimamente o que o leva à Venezuela que eles liberam a passagem.







Estradas impecáveis e combustível barato
Atravessando a fronteira do Brasil com a Venezuela pela cidade de Pacaraima, chega-se a uma estrada que nada deixa a desejar às principais - e caríssimas - rodovias paulistas. O asfalto é impecável. E o povo por aí diz que é porque a rodovia é rota de escoamento da produção de combustível do país.

Há pedágios, mas custam centavos de real. E o combustível? Com o preço de um litro vendido em Roraima quase se enche o tanque na Venezuela. O combustível em Roraima é muito mais caro que em São Paulo, o litro da gasolina é vendido, em média, por R$ 2,80 e o do álcool por R$ 2,20.

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