Ibama, Incra e Funai são "tridente do diabo", diz líder dos arrozeiros

Carolina Juliano
Enviada especial do UOL
Em Pacaraima (Roraima)

"A nossa vida estará sendo julgada amanhã, em Brasília", diz Paulo César Quartiero à reportagem do UOL minutos antes de embarcar para a capital do país a fim de acompanhar de perto o julgamento do Supremo Tribunal Federal (STF) que pode decidir pela demarcação contínua da Terra Indígena Raposa Serra do Sol e pela conseqüente retirada dos não-indígenas daqueles terras.

  • Arte UOL

    Infográfico: entenda o conflito na Raposa/Serra do Sol e saiba quem são os envolvidos

Quartiero (DEM) é prefeito e candidato à reeleição em Pacaraima, cidade a 250 km da capital de Roraima, Boa Vista. Dono de duas das maiores fazendas de produção de arroz do Estado, o prefeito e empresário tem liderado a resistência à demarcação contínua. "O Supremo tem nas mãos uma decisão que não afeta só a mim, afeta toda uma cidade. O município de Pacaraima desaparece porque fará parte da área demarcada", diz ele.

Das 33 ações que serão julgadas amanhã pelo STF, "muitas" são da parte de Quartiero. Sem especificar quantas são, o empresário diz que são todas procedentes e que tem confiança na Justiça. "O laudo que determinou a demarcação da Raposa é uma fraude e eu confio no patriotismo dos nossos representantes em Brasília pra que o Brasil não seja entregue nas mãos de ONGs estrangeiras."

O fazendeiro defende que os índios organizados no Conselho Indígena de Roraima (CIR) estão "a serviço" e são "instrumentos" de organizações não-governamentais estrangeiras que querem facilitar o acesso ao país pela fronteira com a Venezuela e com a Guiana. Segundo ele, a demarcação de toda aquela área como Terra Indígena dificulta a fiscalização do Exército Brasileiro.

"Eu não tenho problema nenhum com os índios. Eles são meus eleitores, me elegeram prefeito e trabalham para mim", diz Quartiero. "Os que conflitam comigo são uns poucos representados pela CIR."

"Conseqüências imprevisíveis"
Paulo César Quartiero diz que vai acatar e cumprir a decisão do STF, mas alerta que as conseqüências de uma possível decisão pela demarcação contínua serão "imprevisíveis". "Para começar, isso acaba com toda a esperança de um povo", diz ele. "O nosso Estado já é pobre e tem o pior índice de segurança alimentar do Brasil. A produção de arroz está diretamente relacionada com o desenvolvimento de Roraima."

  • Marcello Casal Jr/ABr

    Paulo César Quartiero, prefeito de Pacaraima, diz que município desaparecerá com área demarcada

    O empresário lembra que está na região do Rio Surumu (que hoje faz parte da área de reserva) há mais de 20 anos. "Mas eu comprei isso de outro fazendeiro que desenvolvia ali a pecuária. E a fazenda data de muito antes disso, é de 1922", sustenta. "Só ali, a minha empresa de agro-pecuária emprega 200 pessoas. E nunca houve índio naquele lugar. Eles apareceram agora, como instrumentos dessas ONGs."

    "As hastes do tridente do diabo"
    Quem está "criando problema" na região, de acordo com Quartiero, é o governo federal, por meio principalmente do Ministério da justiça. "O senhor Tarso Genro mandou a sua polícia aqui para nos expulsar e criou essa confusão toda. Quem está criando problema em Roraima é essa haste do tridente do diabo, formado por Ibama, Incra e Funai", diz ele.

    • Arte/UOL
      Setores do governo teriam sido "cooptados", segundo Quartiero, por instituições que defendem interesses internacionais. "Além desse tridente, há gente má intencionada dentro do Ministério Público Federal e principalmente do Ministério da Justiça".

      Até por isso que o empresário não esconde de ninguém que desaprova a permanência da Polícia Federal e de guardas da Força Nacional na região de Pacaraima. E ele manifestou isso com uma faixa afixada bem diante dos agentes federais que fazem plantão na entrada da reserva, no Distrito de Surumu. "Não à Polícia Federal. Sim ao Exército Brasileiro".

      Paulo César Quartiero viajou para Brasília nesta terça-feira e deve voltar ao Estado de Roraima somente na sexta-feira, "depois que pensarmos como contornar as possíveis conseqüências do julgamento do STF", diz. "Na sexta-feira eu terei motivos para comemorar ou uma grande dor de cabeça."

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