"Engenheiro não entendia o que eu queria fazer", diz advogado que construiu duas casas invertidas em MG

Rayder Bragon
Especial para o UOL
Em Ribeirão das Neves (MG)

A casa construída pelo advogado Eduardo José Lima, de 64 anos, que induz o incauto visitante a achar que ela fora construída de cabeça para baixo, chama a atenção pela singularidade e pelos detalhes de quem se detém a admirar a construção no bairro Granjas Primavera, em Ribeirão das Neves, região metropolitana de Belo Horizonte (MG).
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    São duas casas. Uma das fachadas mostra a construção do terreno de 8.100 metros quadrados com o telhado enfiado no gramado e a outra causa a sensação de que fora resultado de algum cataclismo provocado pela natureza. Além disso, bicicletas dependuradas, vasos de plantas e até um cachorro de cabeça para baixo no topo da construção atraem olhares espantados com a ousadia do construtor.

    "Era para ser o chamariz da clínica veterinária que eu pretendia montar para o meu filho, mas como ele resolveu fazer outro curso superior, eu tive de fazer adaptações para que ela se tornasse uma moradia como outra qualquer, apesar da fachada chamativa", explica Lima.

    Ele disse já ter contabilizado 1.400 visitas em um livro no qual faz questão de colher a assinatura do visitante.

    As duas construções ainda não tiveram as obras concluídas na parte de dentro dos imóveis, o que deverá ser finalizado até o fim deste ano, segundo o advogado.

    Ao ser questionado sobre o projeto, Lima conta ter concebido a idéia depois de passar algum tempo admirando telhados existentes no bairro onde reside com a esposa e dois dos três filhos.

    "No meu bairro tem muito telhado bonito, então eu resolvi fazer um também para a casa, só que de lado", explica.

    O idealizador garante que não teve problema com a família ao anunciar a decisão de construir a casa de "cabeça para baixo".

    "A minha esposa topou na hora. Ela até me deu umas dicas para fazer a janela da fachada reproduzindo janelas de um hotel na cidade do Serro, que ela foi visitar", disse.

    O filho presenteado com o mimo e que se mostrou relutante no começo, teve de ser convencido. "O meu filho achava que a clínica deveria ser austera, e eu concordei com ele. Disse a ele: filho, uma casa com telhado colonial é uma construção austera, só que eu vou fazê-la de cabeça para baixo", conta sem conter a gargalhada.

    Execução
    A casa começou a ser erguida no início do mês de março deste ano, e Eduardo Lima conta ter tido dificuldade para fazer o engenheiro responsável pela obra entender o que pretendia fazer.

    "O engenheiro ficou por conta do projeto estrutural porque por mais que eu explicasse, ele não entendia direito o que eu pretendia construir. Aí, ele fez a parte estrutural, que foi o projeto hidráulico, o elétrico e a fundação, o resto ficou por minha conta e imaginação", revela.

    O mestre de obra Ronaldo Antônio da Silva, executor das ordens heterodoxas de Lima, afirma não ter ficado assustado com os comandos que recebia.

    "Eu conheço ele há mais de 20 anos e por isso não estranhei os pedidos. No início, eu não entendia nada do que ele queria fazer, mas fui fazendo', revelou.

    Lima jura nunca ter feito nada parecido no passado, mas garante ter ficado satisfeito com o resultado.

    Apesar de ter investido cerca de R$ 150 mil na construção, ele garante que, por enquanto, não pretende habitar a casa.

    "Eu não vou me mudar porque o movimento de pessoas no final de semana é uma coisa de louco. Vêm umas 150 pessoas e o sossego acaba", reclama.

    Mesmo sem sossego, Lima não esconde uma ponta de vaidade em atender aos pedidos de pessoas que são atraídas a bisbilhotar e fotografar a casa, cujo dono faz questão de convidar a adentrar nos jardins bem cuidados.

    Ele disse que ainda não sabe o que fará com o imóvel, mas está aberto a sugestões e parcerias. "Se aparecer alguém que queira arrendar a casa para transformar o local em lugar para festas ou outra coisa, posso estudar. Graças a Deus não preciso dela para gerar renda para mim", contou.

    Preservação ecológica
    O dono da casa "invertida" também se preocupou em preservar a água da chuva. Para tanto, construiu um reservatório com capacidade para armazenar 50.000 litros de água que, em época de chuva, é captada por telhas e despejadas no recinto por meio de tubos conectados ao topo da construção.

    A água deverá ser usada na limpeza externa do imóvel e para molhar o jardim, segundo explicou Lima, que ainda quer colocar placas apropriadas para captar a energia solar.

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