Cautelosos com a decisão do STF de adiar o julgamento, prós e contras a Raposa Serra do Sol encontram motivos para comemorar

Carolina Juliano
Enviada Especial do UOL
Em Boa Vista (RR)

O pedido de vista do processo sobre a contestação da homologação da Terra Indígena Raposa Serra do Sol feito pelo ministro Carlos Alberto Menezes Direito, do (STF) Supremo Tribunal Federal, na tarde de ontem, despertou reações contrárias em representantes dos dois lados da questão, em Roraima.

Se entre os não-índios que vivem na região e nos empresários que têm naquelas terras suas fazendas de arroz o adiamento do julgamento foi recebido como uma vitória, o voto favorável à demarcação contínua, dado pelo relator Carlos Ayres Brito momentos antes do adiamento deixou animada boa parte dos índios.





O arrozeiro Nelson Itikawa, um dos oito grandes empresários que ocupam terras agora demarcadas pelo governo federal, declarou em Boa Vista que o pedido de vistas do processo significa que as ações que contestam a homologação têm procedência e que e o Supremo precisa "pensar melhor" é porque ainda pode decidir pela demarcação descontínua e pela conseqüente permanência dos não-índios na região.

Por outro lado, Terêncio Salomão, representante do CIR (Conselho Indígena de Roraima) também afirmou ter motivos para comemorar, não pelo pedido de vistas do ministro Direito, mas pelo voto favorável à demarcação contínua que o relator, ministro Carlos Ayres Brito, declarou minutos antes. "O voto do relator nos dá esperanças. É um indicativo de que a Justiça pode votar a nosso favor."

"O voto de um ministro não nos tira a esperança porque é um e ainda faltam outros tantos", rebateu Itikawa que acompanhou uma manifestação de indígenas que apóiam a permanência dos brancos na Raposa Serra do Sol, nesta quarta-feira, no centro de Boa Vista.

"Agora os ministros terão mais tempo para pensar da nossa causa, nas conseqüências negativas que a demarcação contínua pode ter principalmente no município de Pacaraima", disse Téia Mota, candidata a vice-prefeita na chapa de Paulo César Quartiero, prefeito de Pacaraima e líder dos arrozeiros na região.

"A questão não está no adiamento do julgamento, mas sim no que vai ser feito nas terras da Raposa Serra do Sol", disse Silvestre Leocádio da Silva, assessor da Sodiu-RR (Sociedade de Defesa dos Índios Unidos de Roraima). "Os brancos não nos atrapalham e devem ficar nas terras da Raposa, o que queremos é que dividam conosco o seu conhecimento e tecnologia para que o índio possa também crescer. E é isso, independente do julgamento do STF, que teremos que acertar com os nossos parentes, quer o Supremo julgue a favor, quer julgue contra."

Julgamento gera receitas para Roraima
Com o fim da expectativa em torno do julgamento, os jornais regionais de Roraima começaram a fazer um balanço do que a notoriedade e repercussão que ganhou o caso da Raposa Serra do Sol acabou trazendo de bom para o Estado.

Segundo reportagem de uma emissora de televisão local, o interesse em torno do caso com a proximidade do julgamento do STF lotou os hotéis da cidade de Boa Vista. Segundo o consultor econômico Francisco Jasmerin, normalmente os hotéis da cidade nesta altura do ano têm de 60% a 70% de sua capacidade ocupada. Esta semana eles atingiram 100%.

Outro setor que lucrou com interesse pela causa dos índios de Roraima foram as locadoras de veículos. Segundo fontes do setor, o movimento cresceu 60% este mês. A maioria da procura é por parte de jornalistas que vieram a Roraima cobrir o caso e até mesmo de estudiosos que chegaram ao Estado para acompanhar as possíveis repercussões do julgamento no Supremo.

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