Tipo de trabalho pode influenciar na remuneração das mulheres, diz OIT

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

Se dependesse apenas do nível de escolaridade, as mulheres estariam ganhando mais do que os homens, já que possuem, em geral, um ano a mais de estudo. No entanto, a escolha da área de atuação pode determinar a persistência da diferença salarial entre os gêneros.

"A educação não é um fator suficiente para explicar essa diferença. Existe a questão da segregação ocupacional. Apesar de termos cada vez mais mulheres em cargos que tradicionalmente eram ocupados por homens, mulheres juízas, médicas, engenheiras, ainda há uma concentração nas funções ligadas a cuidados, como as empregadas domésticas, por exemplo", explica a diretora da OIT (Organização Internacional do Trabalho) no Brasil, Laís Abramo.

Entre 1992 e 2006, a diferença salarial entre homens e mulheres diminuiu. Há 16 anos, as mulheres recebiam o equivalente a 61,5% do ganho masculino e tinham rendimento médio de R$ 506, contra R$ 823 dos homens. Em 2006 passaram a ganhar em média 70,7% do que os homens ganham, recebendo R$ 725, antes R$ 1,026 dos homens.

"Mesmo assim, a distância entre os rendimentos ainda é muito alta", aponta relatório da ONU sobre emprego e desenvolvimento humano lançado nesta segunda-feira.

Diferenças de raça
Quando se faz a comparação entre trabalhadores negros e brancos as diferenças salariais são mais elevadas. Em 1992, os negros recebiam exatamente a metade do que recebiam os brancos. 14 anos depois, os negros passaram a receber 53,2% da remuneração média de um trabalhador branco.

Pesquisas da OIT indicam que a escolaridade não tem se traduzido em melhoras salariais para os negros, que recebem 30% menos tendo completado o mesmo tempo de estudo.

A comparação entre trabalhadores com 15 anos ou mais de estudo mostra que os negros recebem 72,5% do que recebem os brancos. "Quanto maior os níveis de escolaridade, maior a desigualdade", indica o relatório.

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