Tendência de maior escolaridade das mulheres não se reflete no mercado de trabalho

Silvana Salles
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Além da desigualdade racial, o estudo divulgado pelo Ipea nesta terça-feira ressalta uma tendência de maior escolaridade entre as mulheres do que entre os homens, que já era verificada em 1996. Em 2006, 95,6% das mulheres em idade adequada cursavam o ensino fundamental, enquanto 52,3% estavam no ensino médio. Paralelamente, 94,7% dos homens estavam no fundamental, enquanto 42% estavam matriculados no ensino médio.

O Ipea alerta, entretanto, que a maior escolaridade não se reflete no mercado de trabalho. As mulheres continuam tendo menor participação na população economicamente ativa. Enquanto 52,6% das mulheres estavam no mercado em 2006, a taxa de participação subia para 72,9% entre os homens.

"As mulheres também tiveram historicamente uma posição desfavorável e, junto aos negros, sua situação de desvantagem tem sido diminuída por ação de políticas públicas", pontua o professor de Economia da Unicamp Claudio Dedecca. "Mas a a tendência de redução do abismo entre homens e mulheres tem sido mais rápida do que para os negros. Para a mulher negra, a situação é ainda pior."

O percentual de participação no mercado de trabalho chega a apenas 51,8% quando são consideradas só as mulheres negras.

"A mulher branca tem sido assimilada mais rapidamente no mercado. Ocupa cargos médios no sistema bancário, por exemplo", diz Dedecca. "Porém, ainda hoje o principal segmento profissional urbano para a mulher negra é o trabalho doméstico."

"É o espaço onde ela ainda consegue trabalhar", avalia Bernardete Lopes, diretora de Proteção ao Patrimônio Afro-brasileiro da Fundação Palmares. "Já em 2000, o Ipea mostrava que entre um negro e um branco com a mesma escolaridade, o branco ganhava até 40% mais que o negro. E quando vem a questão de gênero, a mulher negra é discriminada duplamente", diz ela.

Chefes de família

O estudo do Ipea também demonstrou que cresceu o número de famílias chefiadas por mulheres no Brasil. Foram comparados dados de 1993, quando o índice chegava a 19,7%, a outros de 2006, ano em que o mesmo atingiu 28,8%. O instituto atribui esta mudança em parte a condições precárias de trabalho e vida das mulheres, mas também a processos de empoderamento das mesmas.

Da mesma forma, subiu durante perído o número de famílias compostas por casais com filhos que são chefiadas pelas mulheres - de 3,4% para 14,2%. Este crescimento seria sustentado por um maior simetria de gêneros na sociedade brasileira atual.

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