Governo não oferece políticas públicas específicas para anões

Gabriela Sylos
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Os anões são considerados deficientes físicos desde 2004. Com isso, podem ser beneficiados, por exemplo, com as adaptações em ônibus e caixas eletrônicos, e com a lei de cotas, que obriga as empresas com mais de 100 empregados a preencher de 2% a 5% dos seus cargos com deficientes. Mas ainda não existem no Brasil projetos voltados exclusivamente para os anões. "Não somos como os cadeirantes, temos os braços curtos", afirma o presidente da associação Gente Pequena, Hélio Pottes, 53 anos, 1,33 m.

Cirurgias de alongamento

  • Um anão pode sofrer diversas cirurgias ao longo da vida. O médico ortopedista João Thomazelli explica que o menor dos problemas deles é a altura, já que em alguns casos seriam necessárias mais de 100 horas de operação para fazer um deles andar, por exemplo. Mas existem operações de alongamento dos ossos que podem ser feitas por anões que não tenham problemas estruturais mais complicados. Uma delas é o alongamento feito com halos e pinos que são apertados e podem, em média, alongar 1mm dos ossos por dia. "Essa técnica é complicada e é uma verdadeira tortura", explica Thomazelli. Outra forma de cirurgia é feita através de um corte, na altura do joelho ou da bacia, e da inserção de uma haste no buraco do osso a ser alongado. A haste é presa a dois parafusos, que são afastados, por aparelhos, cerca de 1 cm por dia. "Essa operação pode aumentar a altura entre 15 e 16 cm", completa o ortopedista

O Conselho Nacional dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência, órgão ligado à Secretaria Especial dos Direitos Humanos e responsável por desenvolver políticas públicas, não conta com um representante específico para o nanismo. "Das 36 cadeiras ocupadas por representantes de ministérios e entidades de defesa, não há nenhuma do nanismo", afirma a assessoria. Tampouco há discussões ou solicitações que atendam diretamente a eles.

A Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência e Mobilidade Reduzida, criada em São Paulo em 2005, afirma que não há projetos específicos para os anões, já que isso "significaria uma segregação". "Nós promovemos ações para melhorar a acessibilidade em geral", afirma a assessoria.

Segundo Kênia Hubert, do Gente Pequena, a organização é chamada para opinar sobre as adaptações que são feitas no mobiliário urbano de São Paulo, entre elas as medidas que obrigaram ônibus e caixas eletrônicos a oferecer acesso aos deficientes físicos. "Há um movimento sim para melhorar as condições", conta.

Kênia explica que a associação está interessada primeiro em divulgar a doença para depois atuar nas políticas públicas. "A associação estava em fase de divulgar o nanismo, melhorar o conhecimento e despertar interesse na área de saúde &?8212já que quase não tem ninguém no mercado especializado. Agora vamos iniciar uma nova fase e terminar alguns projetos para encaminhar aos órgãos públicos", relata. Os projetos serão voltados especialmente para questões de acessibilidade e adaptações em áreas públicas.

Para a advogada Tatiana Muniz, 29 anos, 1,26 m, a falta de conhecimento faz com que os portadores de nanismo não lutem por seus direitos. "Muitos não sabem que as agências bancárias precisam ter ao menos um caixa eletrônico mais baixo, ou que somos isentos de pagar transporte público. Alguns se acomodam com a situação em que vivem", ressalta.

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