Passarela do Obelisco de Ipanema está com os dias contados

Agência JB
No Rio de Janeiro

Símbolo polêmico da primeira fase do Rio cidade e da repulsa estética em Ipanema, a Passarela do Obelisco pode sumir do mapa. Segundo o prefeito Cesar Maia, em no máximo dois meses será decidido o futuro do monumento, planejado em 1996 pelo arquiteto Paulo Casé.

Localizada na divisa entre Ipanema e Leblon, a passarela desperta reações inflamadas desde sua construção. O advogado Ricardo Lima viveu 40 de seus 54 anos no Edifício Astoria, localizado em frente ao monumento. Para ele, trata-se de uma obra superfaturada e sem propósito. A proposta da retirada representa, para o advogado, uma tentativa desesperada de arrecadação de votos para a candidata Solange Amaral, lançada pelo então prefeito Cesar Maia.

"Essa passarela não tem sentido nenhum, além de ser horrível para a estética do bairro. Só o Cesar Maia gostou", critica. "É uma coisa horrorosa e sem sentido. Com tanto lugar no Rio precisando de uma passarela, vão colocar justo aqui?"

Os aposentados Bella e Julio Herszenhaut, de 70 e 80 anos, respectivamente, vivem há 35 anos no bairro e têm a mesma opinião de Ricardo. Para eles, a retirada da construção representa a já rotineira jogada política de ano de eleição.

"O Cesar Maia quer tirar isso antes que o novo prefeito tire", aponta Bella, ao que o marido agrega, desacreditado: "Como vão deixar, em primeiro lugar, construir um negócio horrendo desses?"

A Associação de Moradores do Bairro explicou que, na época da construção, foram conseguidas mais de mil assinaturas contra a passarela. A rejeição se deve principalmente à falta de finalidade da construção, imprópria para a travessia.

"A obra foi um desperdício de dinheiro público. Talvez por isso o prefeito não tenha voltado atrás antes, esperou passar mais um tempo", especula Maria Amélia Loureiro, vice-presidente da associação. "Estou planejando fazer uma manifestação no local para tentar recolher novas assinaturas e derrubar a passarela. Vou aproveitar o momento para mobilizar os moradores, já que perto das eleições a gente consegue tudo".

Para a estilista e designer Alessa Migani, a estética da passarela desagrada não só moradores mas visitantes do bairro e da cidade, além de não ser funcional. Para evitar esse tipo de problema, ela sugere que a opinião dos moradores seja sempre respeitada.

"Algumas questões polêmicas deveriam ser votadas. Isso poderia evitar as discussões e o desperdício de dinheiro público", atenta. "O prefeito deveria ouvir as associações de moradores e os ativos em cada bairro e só depois optar em fazer ou não obras e mudanças no bairro".

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