Ministro das Cidades se diz contra pedágio urbano; para diretor do Denatran, cobrança é tendência

Cláudia Andrade
UOL Notícias
Em Brasília

Na abertura da Jornada Brasileira do Dia Mundial sem Carro, em Brasília, o ministro das Cidades, Márcio Fortes, manifestou sua opinião contrária à idéia de se cobrar para permitir o acesso dos veículos ao centro das grandes metrópoles. Para ele, antes de se adotar tal medida, é preciso resolver outros problemas.

"Eu sou contra, porque, se não resolver o problema anterior, as pessoas vão pagar o que for preciso para chegar ao centro. É preciso investir em metrô, em bilhetes de integração, em alternativas sem ônus. Não adianta restringir o acesso se a pessoa não tem como chegar lá. A cobrança deve ser a última coisa", afirmou.
  • Ministro das Cidades, Márcio Fortes se diz contra pedágio urbano



O ministro também disse que a construção de garagens em zonas centrais deve ser desestimulada. "As garagens devem ser construídas junto aos terminais de metrô e de ônibus, e também junto a bicicletários. No centro, elas estimulam o uso do carro", defendeu.

O diretor-presidente do Denatran (Departamento Nacional do Trânsito), Alfredo Peres, também esteve presente ao evento da campanha "Na cidade sem meu carro", do Ministério das Cidades. Em conversa com os jornalistas, no entanto, ele manifestou opinião diferente da apresentada pelo ministro, no que se refere ao pedágio urbano. Peres acredita que a limitação de acesso por meio da cobrança é uma "tendência."

"Nenhum político gosta de falar sobre isso, porque não seria algo receptivo pelos motoristas. Mas os municípios têm que decidir em que tipo de cidade querem viver", disse.

Ele admite que a solução tem caráter elitista, por penalizar mais a população de baixa renda, mas acredita que, mesmo assim, será inevitável. "É um caso idêntico ao das rodovias. O IPVA (imposto sobre a propriedade de veículos automotores) era um imposto federal que foi transferido para os Estados. Mas a União ficou com a responsabilidade de cuidar das estradas e teve de privatizar. Hoje as pessoas preferem pagar para usar uma rodovia em boas condições do que gastar ainda mais com a manutenção do veículo", exemplificou.

As conseqüências da situação caótica no trânsito nas grandes cidades, segundo Peres, já pode ser sentida também na economia. "Em São Paulo, já há um desestímulo às empresas que querem instalar suas fábricas na região, por causa do alto custo com deslocamento, combustível, a perda de tempo. As indústrias têm que produzir e escoar sua produção e, por isso, há uma grande preocupação."

O diretor do Denatran também destacou a importância de se controlar eletronicamente as informações sobre os veículos para melhorar a fiscalização. "Hoje, 30% dos veículos circulam de forma irregular, ou seja, não pagam IPVA, seguro. Fiscalizar isso é competência dos Estados, que devem se articular com os municípios para tornar a fiscalização mais eficiente".

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