Em passeata, policiais civis em greve em SP pedem a saída de secretário de Segurança

Rodrigo Bertolotto
Do UOL Notícias
Em São Paulo

Policiais civis que estão em greve desde semana passada fizeram nesta terça-feira de manhã uma passeata pelo centro de São Paulo reivincando aumento de 60%. Os manifestantes pediram também a saída do secretário de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão. Durante o protesto, informaram que continuam em greve por tempo indeterminado.

Ao chegar à sede da secretária, depararam-se com dez policiais militares que faziam a segurança da porta e pediram que os PMs entrassem em operação padrão como forma de apoio à greve da Polícia Civil.

A concentração começou às 9h da manhã, e os grevistas saíram às 11h da avenida Ipiranga, passando pela avenida São Luis, a rua Xavier de Toledo e o Viaduto do Chá, até chegarem ao prédio da secretaria de Segurança Pública, no largo São Francisco.

Manifestantes "disparam" contra Serra

    Várias críticas ao governo do PSDB e de José Serra foram feitas. Os civis carregavam faixas com frases como "sabe o que significa PSDB? Pior Salário Do Brasil", em alusão à sigla do partido. Outra dizia: "O povo adverte: o PSDB é prejudicial à segurança." Apesar do alvo constante, os sindicalistas afirmam que as entidades não são ligadas a centrais ou partidos.

    Alguns dos líderes da greve usavam camisetas com uma estampa do governador segurando uma metralhadora, com as seguintes frases abaixo: "Serra, o Exterminador da Polícia" e "Serra, o inimigo número 1 da Polícia".

    Como não foram recebidos pelo secretário, cantaram o Hino Nacional e abraçaram o prédio. No final, os mais exaltados gritaram "pula, pula", coro endereçado a Marzagão.

    O deputado estadual Major Olímpio Gomes (PV) participava da manifestação. Ele puxou um cântico contra o governador. "José Serra, não sou otário, nossa polícia está lutando por salário", dizia um dos coros. "Marzagão, presta atenção, nossa polícia não aceita traição", falava outro, atacando o secretário da pasta.

    Um dos oradores gritava "ei, Marzagão, pede demissão" e "mostra que você é homem e não se esconde atrás da cadeira e da caneta". E caprichava nas comparações: "A melhor polícia do Brasil tem o pior salário. Nós perdemos até para Alagoas."

    Cerca de 500 pessoas participavam da manifestação pela manhã. Segundo sindicatos que representam as categorias em greve, houve adesão de 100% no interior e 80% na capital. Dez ônibus vieram do interior e do litoral para a passeata, das cidades de Bauru, Marília, Tupã, Santos, Campinas, Avaré e do Vale do Paraíba. O presidente do Sindicato dos Investigadores, João Batista Rebouças, disse que "nunca houve uma passeata da Polícia Civil tão grande".

    "É mais fácil lidar com o PCC do que com esse governo. Há 14 anos, não há diálogo", afirmou José Leal, presidente do Sindicato dos Delegados.

    Do alto do carro de som, Leal acenava: "Obrigado pelo apoio do pessoal dos escritórios". O público, porém, mostrava pouca simpatia. De uma das janelas, um rapaz mostrava o dedo médio em riste aos policiais, aproveitando a posição pouco comum em que os "tiras" estavam. Já os motoboys, represados no fim do bloco humano, buzinavam pelo atraso de suas entregas.

    Segundo os grevistas, o salário-base da categoria é R$ 508, o que, com as bonificações, pode chegar a por volta de R$ 1.200, mas eles se queixam que isso não tem efeito em casos como aposentadoria. Por isso, querem aumento nos dividendos.

    Receba notícias do UOL. É grátis!

    Facebook Messenger

    As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

    Começar agora

    Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

    UOL Cursos Online

    Todos os cursos