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Rayder Bragon
Especial para o UOL
Em Belo Horizonte

O arquiteto Oscar Niemeyer disse após ter vistoriado nesta terça-feira (23) as obras em andamento do Centro Administrativo do governo de Minas Gerais se sentir "comovido" pelo que viu e atribuiu ao governador Aécio Neves (PSDB) gosto por "coisas bonitas" e predileção para fazer "coisas importantes".

O arquiteto centenário foi o responsável pelo projeto arquitetônico da obra avaliada até o momento como a maior da gestão do governador tucano Aécio Neves, desde sua assunção ao governo, em 2003. O Centro Administrativo está sendo construído em terreno de 804 mil metros quadrados e abrigará todas as 18 secretarias de Estado. Quando for concluído, o local passa a ser a nova sede de governo do Estado.

"Eu acho que o governador tem a favor dele é que ele gosta das coisas bonitas, ele gosta das coisas importantes. Ele tem vontade de fazer uma obra que fique na história e isso explica esse ambiente de trabalho, de boa vontade para querer acabar o mais rápido possível. Me espantei muito e fico comovido com isso" disse Niemeyer, após saborear uma cigarrilha em companhia do governador no Palácio das Mangabeiras, residência oficial do governador.

Niemeyer também relembrou o inicio da carreira, quando fora chamado pelo então governador de Minas Gerais, Juscelino Kubitscheck, para ser o criador do conjunto arquitetônico da lagoa da Pampulha, obra considerada fundamental por Niemeyer em sua carreira. O arquiteto avaliou a sua criação em Belo Horizonte como um marco para a construção de Brasília-DF, feita por Kubitscheck quando este assumiu a presidência do Brasil.

"Eu tenho o maior apreço por esta obra. Primeiro, porque foi o meu primeiro trabalho que constou mais no exterior. Segundo porque realmente Pampulha foi o início de Brasília. O mesmo entusiasmo, os mesmos problemas, as mesmas angústias em relação a prazos. E o sucesso de Pampulha, eu acredito, é que deu a Juscelino o ânimo para tocar Brasília, uma obra tão difícil de realizar", relembrou.

O arquiteto Oscar Niemeyer, que completa 101 anos em dezembro deste ano, é autor de outras 14 obras na capital mineira. Entre elas, o Conjunto Arquitetônico da Lagoa da Pampulha, formado por quatro edificações, o Edifício Niemeyer, na Praça da Liberdade, o Conjunto JK, no centro de Belo Horizonte, a Biblioteca Pública Estadual Luiz de Bessa, o colégio Estadual Central, e o Palácio das Artes.





Centro Administrativo



Com investimento previsto de R$948 milhões do Tesouro estadual, a intenção de agrupar a administração estadual em um só local fora alvo de críticas de opositores de Aécio Neves e de ambientalistas quando se aventou a possibilidade de erguer o centro administrativo. Os detratores da construção a classificaram de "faraônica". Já os ambientalistas criticaram a proposta em razão de a obra estar sendo erigida em local considerado como importante do ponto de vista histórico e científico pelos estudiosos.

Segundo a assessoria de comunicação do Estado, as obras deverão ser concluídas no 1º trimestre de 2010, quando cerca de 16 mil servidores do estado deverão trabalhar no local, localizado no Bairro Serra Verde, região Norte de Belo Horizonte. O novo centro está sendo erigido às margens da rodovia MG-10, que liga o centro de Belo Horizonte ao aeroporto de Confins.

A licitação fora vencida por consórcios de empresas que ficarão responsáveis pelas 3 etapas da obra previstas no projeto inicial.

As construtoras Camargo Corrêa, Mendes Júnior e Santa Bárbara deverão entregar as obras compreendidas no chamado "lote 1".

Em seqüência, a construtora Norberto Odebrecht, OAS e Queiroz Galvão serão responsáveis pelas obras do "lote 2". Já a construtora Andrade Gutierrez, a Via Engenharia e a Barbosa Mello ficaram com o "lote 3".

A atual sede do governo, o Palácio da Liberdade, será transformada em espaço para atividades culturais, exposições e gastronomia, além de ser aberto à visitação, conforme informação do governo. O palácio compõe o cinturão de prédios históricos que delineia a Praça da Liberdade e servem de local para atividades administrativas estaduais.

A razão alegada para a transferência das secretarias e da sede do governo estadual para o local fora a de que os gastos com aluguéis de imóveis para abrigar as atividades da administração pública e os deslocamentos de funcionários será reduzida em cerca de R$20 milhões por ano.

Outra razão alegada para a mudança foi a de dar celeridade no atendimento às pessoas que procuram as secretarias e outros órgãos ligados ao governo estadual.

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