Homicídios de policiais em Salvador em 2008 já superam marca do ano passado

Aurelio Nunes
Especial para o UOL
Em Salvador

Com o assassinato do soldado Romilton Nunes Pereira dos Santos, na noite de terça-feira (dia 23), na avenida Vasco da Gama, o número de policiais mortos em Salvador neste ano chegou a 25. As baixas entre os representantes das polícias civil e militar já ultrapassaram toda a quantidade de mortos em 2007, que somaram 24 agentes.

Santos, que era casado e pai de um filho, foi a quarta vítima de homicídio da corporação em menos de um mês na capital baiana. Ele foi alvejado no interior de uma lanchonete por um homem não identificado, que desceu de uma moto, aproximou-se do policial, atirou em seu rosto e fugiu.

O crime causou revolta entre os colegas, que fizeram vigília durante a noite na entrada da emergência do Hospital Geral do Estado, para onde Romilton Santos foi levado. Eles cobram do governo melhores condições de trabalho e apuração imediata dos assassinatos a policiais.

Para o diretor da Associação dos Profissionais de Polícia e Bombeiros Militares do Estado da Bahia (Aspol), Donavan Soares Moutinho, muitas iniciativas anunciadas pelo Estado sequer saem do papel. "O que está faltando é um projeto bem definido para a área da segurança pública."

Entre as ações que devem ser implementadas, segundo Moutinho, estão o trabalho de inteligência policial. "Não adianta simplesmente colocar homens na rua. O crime organizado está vários passos à frente da polícia, pois está agindo com planejamento." De acordo com o diretor da Aspol, os criminosos estão fazendo levantamentos dos dados de policiais "que não se corromperam" e executando-os gradativamente.

Moutinho também chamou a atenção para os baixos salários e cobrou do governo a implementação de um plano de habitação para os policiais e a integração entre civis e militares. "A maioria dos PMs tem remunerações de apenas R$ 420, o resto é complemento e gratificações. Com o baixo rendimento, só nos resta morar em localidades que estão sendo dominadas pelo tráfico de drogas."

Joselito Bispo, delegado-chefe da Polícia Civil baiana, afirmou que a Secretaria da Segurança Pública criou há duas semanas um grupo para investigar as mortes dos policiais, "não só em Salvador, mas em todo o Estado".

Batizada de Força Especial de Investigação e Reação, a nova unidade vai atuar com base na inteligência policial, de acordo com Bispo. O grupo é formado por 23 integrantes das polícias Civil e Militar e está vinculado ao departamento de crimes contra a vida, da Delegacia de Homicídios. Desde esta terça-feira, a nova unidade já tem mais um caso para desvendar.

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