Brasileiros que vivem nos Estados Unidos já sentem o efeito da crise financeira

Sabrina Craide
Da Agência Brasil
Em Nova York (EUA)

Uma das vítimas da crise financeira que abalou a economia americana é a alagoana Maria Cavalcanti, que mora nos Estados Unidos há 13 anos. Ela conta que financiou a compra de uma casa no estado de New Jersey, mas depois não conseguiu pagar e acabou perdendo o imóvel, com um prejuízo de US$ 150 mil.
  • Rodrigo Paiva/Folha Imagem

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    "Eles dão para você uma hipoteca, mas quando você recebe os papéis, vem o dobro do que você tem que pagar", afirma. Ela também reclama que, na hora da compra, as condições não são bem explicadas.

    "O contrato de compra da casa é muito grande, não dá para ler tudo. E eles chamam advogados americanos, que não explicam direito, e você assina aqui, assina ali, não sabe o que está acontecendo", diz.

    Maria calcula que vai levar cerca de sete anos para se restabelecer financeiramente e poder comprar outra casa.

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    Em frente ao consulado do Brasil em Nova York, a carioca Antuérpia Regina Castro distribui panfletos de uma loja de fotocópias e fotografias para documentos. Com uma bandeira do Brasil na mão, ela chama a atenção de quem passa cantarolando trechos da música Garota de Ipanema.

    Regina era tradutora jurídica no Rio de Janeiro, mas largou tudo em 1994 para tentar a vida nos Estados Unidos. Já trabalhou como babá, na construção civil e em um salão de beleza. Ela acha que valeu a pena, porque no Brasil, apesar de sua formação, não encontrava mais espaço no mercado de trabalho.

    "Por mais que o mercado de trabalho no Brasil esteja bom, ele nunca vai estar bom para uma mulher de cor, com 49 nos de idade como eu", explica.

    Agora, ela já sente os efeitos da crise financeira e pensa em deixar os Estados Unidos, mas não deverá morar novamente no Brasil, mas em um país da Europa. "Aqui não estou conseguindo economizar nada. Tudo o que eu ganho é para gastos, compras", diz.

    Regina conta que nunca tinha visto tantos estrangeiros voltando para os seus países como agora e lembra que a situação é ainda pior para quem não está regularizado nos Estados Unidos.

    O paranaense Carlos Lima é gerente de um dos inúmeros restaurantes brasileiros que ficam na rua conhecida como Little Brazil. Segundo ele, o movimento no estabelecimento caiu cerca de 15% por causa da crise, percentual que considera baixo em relação à gravidade do problema que o país está enfrentando "Com crise ou não, o povo ainda precisa comer", explica.

    Ele diz que ainda não pensa em voltar para o Brasil, mas muitos dos seus amigos já falam em retornar ao país caso a crise fique ainda mais grave. O gerente está nos Estados Unidos há 14 anos e acha que o país oferece melhores condições de vida e de trabalho.

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