Aneel licita linhas de transmissão e subestações com deságio médio de 37,61%

Nielmar de Oliveira
Da Agência Brasil

A Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica) licitou seis dos sete lotes de linhas de transmissão e subestações ofertados nesta sexta-feira (3), em leilão realizado na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro, com deságio médio de 37,61%.

Com isso serão construídos, em um prazo de 16 a 24 meses após a assinatura do contrato, 275 quilômetros de linhas de transmissão, além de sete subestações. Estima-se que as obras movimentem 4,9 mil empregos diretos e investimentos de cerca de R$ 500 milhões.

Dos seis lotes licitados, cinco foram arrematados por empresas controladas pela Eletrobás. A Eletronorte ficou com os lotes A e B; Furnas Centrais Elétricas, com o lote C; Eletrosul, com o lote F e a Companhia Hidro Elétrica do São Francisco (Chesf), ficou com o G. Já o lote F, com a subestação Missões (RS), foi arrematado pela Eletrosul, com deságio de apenas 0,59% em relação ao lance inicial.

Ao contrário dos leilões anteriores, não houve muita disputa neste segundo leilão de linhas de transmissão realizado pela Aneel este ano e nenhum dos blocos teve que ser disputado no viva voz - quando a diferença entre as ofertas é igual ou inferior a 5%.

Apesar disso, a empresa brasileira de capital espanhol Neoenergia arrematou o lote E, com duas subestações na Bahia, pagando o maior deságio num leilão de linhas já realizado pela Aneel, desde 2001: 60%.

O lote é composto pela subestação de Narandiba, na Bahia. A empresa se comprometeu a obter receita anual permitida máxima de R$ 4,14 milhões. O lance inicial era de R$ 9,074 milhões.

Para o diretor da Aneel, Edvaldo Santana, o deságio só não foi maior em razão da crise financeira internacional. Santana, no entanto, afastou a hipótese de o leilão ter sido influenciado pela crise internacional, apesar da falta de agressividade das empresas espanholas, que arremataram a maioria dos lotes ofertados nos leilões anteriores.

"Não dá para falar em impacto da recessão, ou em crise, quando a média do deságio ficou próxima a 40% e uma empresa privada estrangeira chegou a oferecer deságio de 60%", justificou.

Para ele, a menor competitividade foi decorrência do tamanho dos empreendimentos. "São todas obras de pequeno porte e os investimentos totais não chegam a R$ 70 milhões. Só saberemos do impacto de uma crise externa no caso de grandes empreendimentos, como as usinas do Madeira, Belo Monte ou outros em que os investimentos chegam na casa dos bilhões", estimou.

Para o lote D, envolvendo quatro linhas de transmissão a serem construídas no Rio Grande do Sul, não houve oferta. As linhas objetivavam a transmissão de energia na área metropolitana de Porto Alegre. O lote será reavaliado e licitado novamente.

"O lote é totalmente urbano e, pela primeira vez, licitamos um trecho subterrâneo. Vamos avaliar melhor esta oferta", afirmou Santana.

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