Mesmo com dólar em alta, Consulado dos EUA inicia mutirão para combater filas

Fernanda Brambilla
Do UOL Notícias
Em São Paulo

O cenário atual é de crise financeira, bolsas caindo e o dólar nas alturas. Mas do lado de fora do consulado norte-americano em São Paulo, a fila de pedidos de visto não diminui. Na contramão da situação econômica mundial, o órgão norte-americano se reforça para enxugar a enorme demanda por visitas e propõe a volta do visto de dez anos a brasileiros. Para diminuir o problema burocrático, os diplomatas criaram um mutirão de três meses, quando os reflexos da crise já devem atingir o setor de viagens.

Na sexta-feira, a proposta de ampliação do visto será apresentada ao presidente Lula, que virá a São Paulo participar de um fórum com empresários norte-americanos. Na pauta, propostas de acordos bilaterais, condições de viagens e direitos das companhias aéreas e impostos tributários - nem sinal da crise que levou o dólar a fechar a R$ 2,198 na última segunda-feira.

Pagar para não faltar

  • Para evitar a taxa de não comparecimento nos pedidos de entrevistas, o consulado dos Estados Unidos cobra a taxa de agendamento, de R$ 38, antecipadamente. Em caso de mudança de data, a quantia será cobrada novamente. Além disso, o órgão estuda cobrar antecipado a emissão do novo visto (já é a orientação do site), que corresponde a US$ 131 pagos em real,(de acordo com a variação cambial do dia). O consulado norte-americano estima que o índice de não-comparecimento corresponde a quase 30%.
"A crise ainda não chegou aqui. A médio prazo, pode ser que essa demanda diminua, mas hoje há urgência para aumentar a capacidade de atendimento, principalmente em São Paulo. Além disso, esperamos que os mercados se acalmem", afirma o cônsul-geral Thomas White, que calcula que 68% da demanda do país venha do Estado. Atualmente, cerca de 1.500 pessoas dão entrada, diariamente, em seus vistos para os Estados Unidos, mas a espera para conseguir uma entrevista na capital ultrapassa dois meses.

Para isso, 20 diplomatas de outros países foram chamados aos quatro postos do órgão no Brasil (São Paulo, Rio de Janeiro, Brasília e Recife), e a expectativa é aumentar em 30% o número de entrevistas nos três meses de mutirão do órgão, até o fim de 2008.

Para chegar aos 2.300 vistos emitidos diários, estão sendo gastos US$ 7 milhões na renovação do processo de seleção e entrevista, que agora conta com sistema de leitura ótica na triagem do público entre os tipos de visto pretendidos.

"É a segunda vez que fazemos algo do tipo, o primeiro mutirão foi feito na Índia", explica o chefe de setor de vistos David Meron. "A meta é que as pessoas demorem no máximo duas horas para completar o processo todo, da fila de entrada à emissão do sedex (obrigatório em São Paulo)." De acordo com Meron, o consulado de São Paulo só tem menos demanda do que os de Cidade do México, Seul (Coréia do Sul) e Bogotá (Colômbia).

Destino: Disney

  • Para o cônsul-geral Thomas White, a relação entre Brasil e Estados Unidos segue estreita, uma vez que cada vez mais classes sociais do país têm acesso a viagens internacionais. "Uma viagem para a Disney, para Orlando, é quase um direito de toda criança no Brasil", afirmou o cônsul. "Não é mais apenas a classe A que viaja, mas B e C cada vez em maior escala."
"O que aconteceu no Brasil foi uma combinação de dólar baixo com um crescimento notável da economia local", afirma Meron, em referência ao cenário anterior à crise global destes dias. "O índice de rejeição (aos pedidos de visto) é muito baixo, apenas 5%."

Segundo levantamento do órgão, o engarrafamento recorde gerado este ano se deve aos vistos gerados dez anos atrás, ano em que o Brasil estabeleceu a marca de 945 mil vistos, com validade ainda de uma década. Somente em 2004, ainda como conseqüência do endurecimento da política internacional dos Estados Unidos pós-atentados de 11/9, o prazo de validade das licenças foi cortado para a metade. Hoje, no entanto, a procura já é 22% maior em relação a 2007.

Nos seis primeiros meses de 2008, o Brasil levou mais de 350 mil visitantes aos Estados Unidos, hoje segundo destino preferido dos brasileiros. Na visão dos norte-americanos, o Brasil aparece como o nono maior mercado e, seguindo projeções do Consulado, deve subir na escala, ultrapassando a Austrália, oitava na lista, com 750 mil visitantes.

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