Promotor pede absolvição de policial acusado de matar jovem no Rio; mãe se retira do julgamento

Juliana Castro
Do UOL Notícias
No Rio de Janeiro

O promotor Marcelo Monteiro pediu nesta terça-feira (7), durante julgamento no 3º Tribunal do Júri, no centro do Rio de Janeiro, a abolvição de Marcos Parreira do Carmo, acusado de matar o jovem Daniel Duque Pittman, de 18 anos, no dia 29 de junho, na saída da boate Baronetti, em Ipanema. O policial militar fazia, no local, a segurança de Pedro Velasco, filho da promotora de Justiça Márcia Velasco.

O promotor alegou legítima defesa do policial para pedir a absolvição. "Eu só poderia pedir a condenação dele se houvesse resposta para a pergunta: no lugar do terceiro tiro, dava para fazer o quê?", questionou o promotor, lembrando aos presentes que antes do tiro que matou Duque, o policial atirou para o alto duas vezes para "espantar um bando de jovens enfurecidos que o atacariam". "Vai ficar atirando até a munição acabar?", disse Monteiro durante as alegações finais, tentando convencer o júri a inocentar o policial.

  • Guilherme Gonçalves/CPDoc JB

    PM Marcos Parreira do Carmo é julgado, no Rio de Janeiro, pela morte de Daniel Duque, de 18 anos; promotor pediu a absolvição do policial; mãe de Duque se revoltou e juiz pediu que ela deixasse o júri

O promotor também usou a contradição das testemunhas de acusação para pedir a absolvição. "Vejam o próprio início que levou a esta tragédia. Esses jovens não conseguem contar a mesma história", criticou o promotor. "Nenhum deles teve a decência de contar, desde o início, que estavam embriagados. Só disseram ao final dos depoimentos", acrescentou.

Monteiro criticou as testemunhas de acusação, entre elas Gustavo Neves de Lacerda Melo, um dos amigos que acompanhava Duque na noite do crime, dizendo que ele era um verdadeiro 'pit-bull'.

Indignada com o comentário, a mãe do jovem morto, Daniela Duque, que assistia ao julgamento, interveio e gritou: "Meu filho não é um pit-bull." O juiz Sidney Rosa da Silva pediu, então, que Daniela se retirasse da sala. "Pode deixar que eu vou me retirar. Só queria lembrar que meu filho levou um tiro de uma distância de 30 centímetros", disse a mãe do jovem.

Naquele momento, pessoas que participavam do julgamento aplaudiram Daniela, e o juiz pediu que as mesmas se retirassem da sala junto com ela, pois "o julgamento não era um circo".

Daniela saiu chorando e, em tom de revolta, falou com a imprensa. "Eu tenho que fazer uma pergunta para este promotor: ele estava na briga para narrar os fatos com tanta certeza? Esse país é nojento", disse.

A mãe do jovem morto disse que já tinha ouvido boatos de que o promotor pediria a absolvição do policial militar. "A Fabiana (umas das testemunhas de acusação, amiga de Duque) viu tudo, mas o objetivo do MP foi desqualificar a testemunha. Eu não vou deixar isso ficar assim", concluiu.

A previsão é a de que o julgamento seja finalizado no início da madrugada desta quarta-feira (8).

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