Polícia prende dono de asilo clandestino acusado de maus-tratos em Inhumas (GO)

Tião Montalvão
Especial para o UOL
Em Goiânia

A Polícia Civil de Goiás prendeu, na manhã desta quarta-feira (8), o proprietário de um asilo clandestino em Inhumas (a 45 km de Goiânia). Edson Carvalho da Silva, 50, é acusado de maus-tratos, crime contra a saúde pública e também está sendo investigado por apropriação indébita. No local foram encontrados 19 internos, entre idosos e deficientes mentais em situação degradante.

Além de Édson, a polícia não descarta a possibilidade de indiciar a mulher dele, Helenice Vilaverde, que também participaria diretamente na administração do abrigo, que funciona sem alvará. "A cada fiscalização que pedíamos e que encontrava irregularidades, ele mudava de lugar. Só esse ano foram três locais diferentes", informou a promotora de Justiça Sólia Maria de Castro Lobo, do Ministério Público.

  • Selma Cândida/Jornal Hoje

    No abrigo, localizado em Inhumas (GO), foram encontrados 19 internos, entre idosos e deficientes mentais em situação degradante

  • Selma Cândida/Jornal Hoje

    O dono do abrigo também é investigado por apropriação indébita; polícia desconfia que ele sacava e utilizava o dinheiro da aposentadoria dos idosos

    A falta de higiene no local era evidente. Roupas e fraldas geriátricas sujas estavam espalhadas pelos vários cômodos do imóvel. "A situação no local era deplorável. Um desrespeito completo aos idosos", informou o delegado Alexandre Meinmberg, responsável pela prisão. Na despensa do asilo, havia apenas pequenas porções de arroz, pão e amido de milho, usado para fazer mingau.

    Na casa do acusado foi encontrado um grande estoque de alimentos e remédios vencidos. Inclusive medicamentos controlados (tarja preta). O macarrão apresentava clara contaminação por fungos. "Uma funcionária do local me informou que o local já havia recebido visitas de fiscalização. Por isso, o estoque vencido ficava na casa dele e só era levado para o abrigo apenas pequenas porções de alimentos, para consumo imediato", ressaltou o delegado.

    Com o acusado também foram encontrados vários cartões para o saque da aposentadoria dos internos. Segundo Meinmberg, há indícios de apropriação indébita, já que o acusado era responsável pelos saques. Em média, o valor da aposentadoria de cada interno é de R$ 420. Esses recursos, segundo informou o proprietário na delegacia, seriam utilizados para a manutenção do abrigo. "Usava o dinheiro para pagar um empréstimo que fiz para fazer uma reforma aqui", tentou justificar o proprietário.

    Porém, o local contava apenas com um funcionário. A limpeza precária do espaço era feita pelos próprios internos. O acusado chegou a dizer, no momento da prisão, que o trabalho seria uma forma de "terapia" para os internos, que não tinham nenhuma atividade durante todo o dia.

    A promotoria também revelou que investiga denúncias de que Edson estaria utilizando deficientes mentais do abrigo para prestar serviços em uma chácara particular. "Além disso, durante as investigações, um funcionário da prefeitura, à disposição do MP, flagrou dois idosos mendigando em uma feira livre da cidade a mando do Edson", disse Sólia Lobo.

    O grande desafio da polícia agora será encontrar os familiares dos internos. Até o fim da tarde de hoje, apenas um familiar havia sido localizado. Mas, segundo o delegado, apesar de ter sido informado das condições em que se encontrava o parente, não ficou sensibilizado. "Fiquei impressionado. Mesmo vendo alimentos estragados, remédios vencidos, esse parente achou que estava normal. Não acreditou", afirmou.

    Após depoimento do acusado e verificação dos documentos apreendidos, o delegado revelou que vai ouvir todos os parentes dos internos. "Se ficar comprovado que eles sabiam das condições em que essas pessoas viviam, poderão, sim, ser indiciados como cúmplices", disse o delegado.

    Os internos foram encaminhados para outros três abrigos da cidade de Inhumas. Mas o MP informou que já protocolou pedido e que espera que o grupo retorne para o local, só que em condições adequadas e nova gestão. "Já temos inclusive uma pessoa com capacitação para gerir o local, com toda estrutura necessária, enfermeiros. Esperamos que isso seja resolvido em, no máximo, uma semana", garantiu a promotora.

    Receba notícias do UOL. É grátis!

    Facebook Messenger

    As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

    Começar agora

    Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

    UOL Cursos Online

    Todos os cursos