Estudo da UFRJ revela que mulheres negras morrem mais de aborto que as brancas

Isabela Vieira
Repórter da Agência Brasil
No Rio de Janeiro

As mortes decorrentes de abortos clandestinos vitimam mais mulheres negras e pardas que mulheres brancas, no Brasil. Estudo divulgado hoje (15) pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), feita com os dados mais recentes do Ministério da Saúde, revela que das 565 vítimas de aborto entre 1999 e 2005, 50,6% eram mulheres negras e pardas.

A pesquisa da UFRJ mostra também que, embora os homens brancos ainda sejam as maiores vítimas do HIV/Aids, no período estudado, a doença avançou mais (44,1%) entre as mulheres negras e pardas, contra 27,7% entre as brancas, 20,4% entre os homens negros e pardos e 0,07% entre os brancos.

Escolaridade

A pesquisa da UFRJ também aponta que as desigualdades entre negros e brancos no sistema de ensino diminuíram nos últimos anos, mas revela que os negros estão acima da idade adequada aos níveis que freqüentam e, no ritmo atual, a diferença entre os dois segmentos só acabará em 17 anos

De acordo com o coordenador do estudo, Marcelo Paixão, os dados refletem a falta de acesso a políticas públicas. "A exposição a esse contágio está incidindo de forma desigual nesse grupo, provavelmente, relacionado às baixas condições econômicas e de acesso a informações, inclusive, de tratamento da doença, que é gratuito", lembrou.

A publicação da UFRJ mostra também que a população negra e parda, em geral, é a mais afetada por doenças ligadas à pobreza como a malária, hanseníase e leishmaniose. E, ao contrário de todos os outros segmentos, os homens negros e pardos têm nos fatores externos, como a violência, a principal causa de morte.

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