Agricultura familiar responde por 70% dos alimentos do país

Da Agência Brasil
No Rio de Janeiro

Boa parte dos alimentos que vão para a mesa dos brasileiros tem origem no trabalho de agricultores familiares. Dados da SAF (Secretaria de Agricultura Familiar) do MDA (Ministério do Desenvolvimento Agrário) apontam que 70% dos alimentos consumidos pelos brasileiros são provenientes da agricultura familiar.

Números de 2005 indicam que o segmento da agricultura familiar e as cadeias produtivas a ele interligadas responderam por 9% do PIB (Produto Interno Bruto) do Brasil. Isso equivale a R$ 174 bilhões em valores daquele ano, uma participação significativa na geração de riqueza para o país.

O levantamento mostra que 82,8% da produção de mandioca são provenientes da agricultura familiar. A produção de suínos vem em segundo lugar com 59%, seguida do feijão (58,9%), leite (55,4%), aves (47,9%), milho (43,1%), arroz (41,3%) e soja (28,4%).

O gerente da Unidade de Agronegócios do Sebrae Nacional, Juarez de Paula, destaca que a agricultura familiar é essencial sob diversos aspectos.

"Do ponto de vista produtivo, o segmento representa cerca de um terço do agronegócio brasileiro. E, diferentemente do agronegócio voltado para a exportação, geralmente baseado na produção de commodities, em monoculturas com uso intensivo de mecanização e de agroquímicos (fertilizantes e pesticidas), a agricultura familiar é diversificada, mais intensiva em ocupação e menos dependente dos agrotóxicos e dos organismos geneticamente modificados, as sementes transgênicas", diz.

Agroecologia
A agricultura familiar também tem espaço de destaque na preservação ambiental.

"Esse tipo de agricultura presta serviços ambientais relevantes, como a manutenção das reservas legais e das áreas de proteção permanente e a preservação de nascentes e recursos hídricos, serviços estes que agora começam inclusive a ser remunerados, face às ameaças do aquecimento global e seus impactos climáticos", ressalta Juarez.

Segundo Juarez de Paula, a importância da agricultura familiar, sob o ponto de vista ambiental, se torna mais evidente quando há a adoção de manejos agroecológicos ou orgânicos.

"Acredito que a agricultura orgânica é a melhor alternativa de mercado para os agricultores familiares, porque é um mercado que cresce em torno de 40% ao ano, além de ser o que remunera melhor o produto", assinala.

A importância de os produtores familiares trabalharem com orgânicos também está relacionada à tendência do mercado consumidor. Cada vez mais, a busca é por alimentos seguros e saudáveis. Para completar, essa produção é mais barata, na medida em que dispensa o uso de agroquímicos. E também pressupõe menor escala, sendo mais apropriada para a pequena produção.

Juarez destaca também que, apesar da crise mundial no setor financeiro e da alta no preço dos alimentos, o governo brasileiro continua apoiando esse segmento.

"As políticas públicas têm facilitado o acesso ao crédito para a agricultura familiar, têm incentivado o aumento da produção e oferecido canais de comercialização por meio de programas de compras governamentais. É difícil prever um cenário, mas se essas políticas forem mantidas, o ambiente continuará favorável para a agricultura familiar", avalia.

Dia Mundial da Alimentação
A celebração no dia 16 de outubro de cada ano é para comemorar a criação, em 1945, da FAO (Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação).

A idéia é sensibilizar a sociedade sobre a difícil situação de pessoas que passam fome e estão desnutridas, promovendo em todo o mundo a participação da população na luta contra a fome. A data foi comemorada pela primeira vez em 1981.

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