Assassinato do diretor de Bangu 3 foi "barbárie", dizem Genro e Cabral; Beltrame afirma que polícia levanta hipóteses

Luiz Thiago Santos
Do UOL Notícias
No Rio de Janeiro

O ministro da Justiça, Tarso Genro, classificou como "barbárie" o assassinato do tenente-coronel José Roberto do Amaral Lourenço, de 41 anos, diretor da penitenciária Bangu 3, ocorrido na manhã desta quinta-feira (16).
  • Pedro Pantoja/AGIF/AE

    O carro do diretor do presídio de segurança máxima Bangu 3 recebeu mais de 60 tiros nesta manhã na avenida Brasil, no Rio de Janeiro


"Foi uma ousadia dentro da barbárie. É uma ação típica de crime organizado que só demonstra o grau que chegou o crime organizado no Rio de Janeiro", disse Genro aos jornalistas após participar, na capital fluminense, da cerimônia de lançamento do Programa Nacional de Habitação para profissionais de segurança pública. O programa faz parte do Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania). "Pelas informações que eu tinha, era um servidor exemplar", completou o ministro.

Antes de iniciar o discurso no Palácio Guanabara, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, pediu uma salva de palmas para o tenente-coronel. "Queria manifestar solidariedade do nosso governo com a perda de um companheiro numa situação de covardia, de barbárie. Foi um homem que prestou grande serviço à comunidade", afirmou.

Outros seis funcionários do presídio já foram mortos desde 2000

  • 04/09/00 - Sidneya dos Santos Jesus, diretora que restringiu a visita de advogados ao presídio Bangu 1 é executada
  • 24/07/03 - Paulo Roberto Rocha , coordenador de segurança do Desipe, é morto a caminho de sua casa
  • 05/08/03 - Abel Silvério , diretor de Bangu 3, é assassinado um dia após prestar depoimento sobre a morte de Marcinho VP
  • 04/03/04 - Wagner Vasconcellos da Rocha , O subdiretor de Bangu 1, foi assassinado em São João de Meriti, na Baixada Fluminense
  • 17/12/05 - Henrique Fernandes da Silva , chefe da segurança do presídio Bangu 3 é morto com nove tiros de pistola calibre 45 e fuzil
  • 04/10/06- Haílton dos Santos , o então diretor do presídio Ary Franco é morto na porta de casa, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense

O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, que também participou da reunião, não descartou a hipótese de o crime ter sido encomendado por uma das facções que dominam favelas no Estado, mas disse que é preciso cautela nas investigações. "Estamos levantando todas as hipóteses. É temerário tirar conclusões agora", ponderou.

Sobre o direito à escolta a que Amaral Lourenço teria direito, Beltrame informou que é "questão pessoal" utilizá-la ou não.

A assessoria do secretário não informou se ele vai ao enterro do PM, que acontece na próxima sexta-feira (17), no cemitério Jardim da Saudade, às 11h, no bairro de Sulacap, zona oeste da cidade.

O crime
O tenente-coronel José Roberto do Amaral Lourenço era diretor do presídio Bangu 3. Ele foi assassinado na manhã desta quinta-feira (16), por volta das 8h30, na avenida Brasil, na altura de Deodoro, no Rio de Janeiro. O PM dirigia sozinho para o trabalho quando foi interceptado por bandidos que, segundo testemunhas, estariam em dois carros.

De acordo com a assessoria da secretaria de Administração Penitenciária, onde o tenente-coronel estava lotado, o carro - um Palio branco - apresentava mais de 60 marcas de tiros.

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