Diretor de Bangu 3 é assassinado no Rio de Janeiro; sete funcionários do presídio foram mortos desde 2000

Juliana Castro
Do UOL Notícias
No Rio de Janeiro

Atualizada às 15h53

O diretor do presídio Gabriel Ferreira Castilho (Bangu 3), o tenente-coronel José Roberto do Amaral Lourenço, de 41 anos, foi assassinado na manhã desta quinta-feira (16), por volta das 8h30, na avenida Brasil, na altura de Deodoro, no Rio de Janeiro. O PM ia, sozinho, para o trabalho quando foi interceptado por bandidos que, segundo testemunhas, estariam em dois carros.

De acordo com a assessoria da secretaria de Administração Penitenciária, onde o tenente-coronel estava lotado, o carro - um Palio branco - apresentava mais de 60 marcas de tiros.

Seqüência de mortes

  • 04/09/00 - Sidneya dos Santos Jesus, diretora que restringiu a visita de advogados ao presídio Bangu 1 é executada
  • 24/07/03 - Paulo Roberto Rocha , coordenador de segurança do Desipe, é morto a caminho de sua casa
  • 05/08/03 - Abel Silvério , diretor de Bangu 3, é assassinado um dia após prestar depoimento sobre a morte de Marcinho VP
  • 04/03/04 - Wagner Vasconcellos da Rocha , O subdiretor de Bangu 1, foi assassinado em São João de Meriti, na Baixada Fluminense
  • 17/12/05 - Henrique Fernandes da Silva , chefe da segurança do presídio Bangu 3 é morto com nove tiros de pistola calibre 45 e fuzil
  • 04/10/06- Haílton dos Santos , o então diretor do presídio Ary Franco é morto na porta de casa, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense

Segundo o comandante do BPVE (Batalhão de Policiamento de Vias Especiais), tenente-coronel Carlos Henrique Alves de Lima, nenhum pertence do diretor foi levado. No veículo havia, inclusive, duas escopetas.

O carro e o corpo foram retirados do local por volta das 11h30, quando terminou o trabalho da perícia. Ainda com pequenas retenções, o trânsito volta aos poucos à normalidade. Com o crime, a via chegou a apresentar grande congestionamento.

Amaral Lourenço era diretor de Bangu 3 desde agosto de 2004. Ele era casado e tinha duas filhas, uma de 4 e outra de 11 anos.

Em nota, o secretário de Estado de Administração Penitenciária, Cesar Rubens Monteiro de Carvalho, lamentou o assassinato do diretor. "Era um servidor exemplar, que cumpria a lei em sua integridade, um homem sério, corajoso, que exercia a função de diretor de uma unidade de segurança máxima desde o governo passado", disse. "Vamos auxiliar em tudo o que for possível à polícia nas investigações, assim como prestaremos toda solidariedade à família", completou.

Genro e Cabral classificam crime de "barbárie"

"Foi uma ousadia dentro da barbárie. Isso só demonstra o grau que chegou o crime organizado no Rio de Janeiro", disse o ministro Tarso Genro aos jornalistas

Outros seis assassinatos em oito anos
De 2000 para cá, seis funcionários ligados à direção do Complexo Penitenciário de Bangu foram assassinados. Em 2000, A diretora do presídio Bangu 1, Sidneya dos Santos Jesus, foi executada quando chegava em casa, na Ilha do Governador (zona norte), por um homem que atirou três vezes.

Três anos depois, em julho de 2003, o coordenador de segurança do Desipe (Departamento do Sistema Penitenciário), que administra o Complexo Penitenciário de Bangu, Paulo Roberto Rocha, de 47 anos, foi executado na avenida Brasil. No mês seguinte, o diretor de Bangu 3, Abel Silvério, foi morto, nove dias depois de o traficante Márcio Amaro de Oliveira, o Marcinho VP, ter sido encontrado morto dentro do presídio.

Em março de 2004, o subdiretor de Bangu 1, Wagner Vasconcellos da Rocha, de 37 anos, foi morto em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. Em dezembro de 2005, chefe da segurança do presídio Bangu 3, Henrique Fernandes da Silva, de 35 anos, foi executado diante de sua casa.

Em outubro de 2006, o então diretor do presídio Ary Franco, tenente Haílton dos Santos, de 52 anos, foi morto na porta de casa, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, quando estava a caminho do trabalho. Ele foi abordado por um homem armado com um revólver calibre 38.

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