Protesto de bancários em greve termina em confronto com a polícia, em Porto Alegre

Ana Luiza Zenker
Repórter da Agência Brasil
Em Brasília

Uma manifestação de funcionários em greve do Banco do Rio Grande do Sul (Banrisul) terminou em confronto com a Brigada Militar (correspondente à Polícia Militar) na manhã desta quinta-feira. Os bancários ocuparam a frente da agência central do Banrisul, na capital gaúcha, impedindo a entrada no prédio.

De acordo com José Ledur, funcionário do banco, dirigente do Sindicato dos Bancários (SindBancários) e um dos manifestantes, um grupo de cerca de 50 soldados da Brigada, incluindo a tropa de choque, com cacetetes, escudos e armas chegaram no local já batendo nos grevistas.

Quatro teriam ficado feridos
Segundo Ledur, pelo menos quatro pessoas ficaram feridas: duas delas tiveram que ser medicadas, uma porque quebrou o braço e outra porque teve ferimentos na cabeça. "A forma selvagem com que os brigadianos atuaram sobre os bacários é algo descabido", disse. E completou: "Acho que nem bandido eles têm tanta ousadia de tratar [com tanta violência]".

O sindicalista também criticou o governo de Yeda Crusius (PSDB). De acordo com ele, o governo do Rio Grande do Sul tem atuado no sentido de criminalizar os movimentos sociais, por meio da atuação repressiva da Brigada Militar, comandada, na capital, pelo coronel Paulo Mendes, "que é um grande de um fascista, que parece chegar a ter um riso sardônico [com ironia e desprezo] quando vê as pessoas sendo espezinhadas; nós estamos quase à beira da época da ditadura militar. Eu não me lembro tamanha covardia, só me reportando a essa época, eu acho que tem um pessoal que anda com saudades desse processo", disse José Ledur.

"Eu acho que ela [Yeda Crusius] está fundando um novo jeito de bater, quando ela fazia campanha era 'um novo jeito de governar', agora ela está fazendo um novo jeito de bater", acrescentou Ledur.

Polícia diz que 'restaurou a ordem'
De acordo com o coronel Paulo Mendes, a Brigada atuou apenas no sentido de restaurar a ordem, já que os bancários tinham lacrado as portas da agência do Banrisul com cartazes, impedindo que ela abrisse e atendesse a população.

Sobre as críticas com relação a uma ação violenta, Mendes afirmou que "a Brigada não age com truculência, a truculência é de quem age contra a lei, bloquear um estabelecimento bancário não está previsto na lei, então eles é que são os truculentos, a Brigada age no limite da lei".

Com relação à afirmação de que ele seria fascista, o comandante preferiu não comentar e disse que os policiais não batem em niguém, apenas agem para restaurar a ordem, com emprego moderado da força, quando necessário. "Isso nós temos feito, e eu tenho sempre estado presente para garantir que todas as garantias individuais sejam respeitadas."

'Choradeira' e 'baderna'
Mendes acrescentou ainda que as afirmações de que o governo de Yeda Crusius e a Brigada Militar agem para criminalizar os movimentos sociais são "choradeira" de quem age contra a lei, "na baderna". "A Brigada não criminaliza ninguém, ela age contra todos aqueles que estão à margem da lei", disse. De acordo com ele, a maioria da população gaúcha apóia as ações dos policiais.

Os funcionários do Banrisul estão em greve desde o dia 10 de outubro, acompanhando a greve nacional dos bancários. Além da pauta conjunta, por melhores salários e condições de atendimento à população, os gaúchos também reivindicam mais segurança nas agências. Para isso, os grevistas pedem que a diretoria do Banrisul estabeleça diálogo com a categoria. Os bancários do Rio Grande do Sul se reúnem em assembléia ainda hoje (16), às 17h, para discutir os rumos do movimento.

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