Estado de jovem seqüestrada pelo ex-namorado em Santo André é gravíssimo, diz hospital

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

Atualizada às 22h01

Rosa Maria Pinto de Aguiar, diretora do Centro Hospitalar de Santo André (o antigo Hospital Municipal da cidade), afirma que a ex-namorada de Lindemberg Fernandes Alves, 22, que foi mantida refém por mais de cem horas, não morreu e está sendo submetida, neste momento, a intervenção cirúrgica para desalojar uma bala da cabeça. O estado de saúde dela é gravíssimo. A informação foi dada em entrevista coletiva aos jornalistas.

Anteriormente, o Palácio dos Bandeirantes havia confirmado a morte da menina, de apenas 15 anos. Entretanto, a assessoria de imprensa do governo recuou e desmentiu a informação. O governo divulgou uma nota pedindo desculpas à família da vítima.
  • Folha Imagem

    De vermelho, Lindemberg Fernandes Alves, 22, é detido por policiais do Gate durante resgate às reféns que eram mantidas em Santo André desde a última segunda-feira


Segundo a diretora, a ex-refém chegou ao hospital inconsciente, com ferimentos na cabeça e na virilha e permanece internada.

Rosa Maria Pinto de Aguiar informou também que a garota perdeu massa encefálica devido ao tiro na cabeça, está em coma profundo (equivalente a quatro pontos na escala de Glasgow, que vai de três a 15, sendo três o mais grave) e, em uma escala de zero a dez, seu risco de morte é nove.

Uma equipe de neurocirurgiões realiza uma craniotomia na ex-refém, que consiste na abertura do crânio para a retirada da bala. Segundo a diretora do hospital, o procedimento é bastante invasivo e deve durar de duas a três horas.

A equipe médica que atende a ex-refém já retirou a outra bala que atingiu a menina na virilha, e o projétil foi entregue à polícia para passar por perícia.

Já a outra refém, amiga da ex-namorada de Lindemberg que também tem 15 anos, foi ferida por um tiro na face e apresenta ferimentos na mão. Ela passou por exames e é submetida a uma cirurgia para retirar uma bala da arcada dentária, mas está fora de perigo, segundo a diretora do hospital.

Ainda não há confirmação se os tiros foram disparados pelos policiais ou pelo rapaz.

Os parentes das vítimas passaram mal e também tiveram de ser socorridos às pressas no hospital. Os pais da ex-namorada do seqüestrador estão sedados.

Veja imagens do fim do seqüestro


    A invasão
    A polícia invadiu o apartamento onde estava o rapaz e duas reféns por volta das 18h desta sexta-feira (17).

    O coronel que comanda a operação, Eduardo Félix de Oliveira, afirma que eles invadiram o local porque escutaram tiros. "Ele [Lindemberg] estava irredutível. Estávamos preparados para esperar. A equipe que estava na lateral ouviu o tiro e entrou. Ele tinha cinco cartuchos disparados", afirmou o coronel.

    Policiais do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais da Polícia Militar) chegaram ao local pela janela por uma escada, e pelas escadarias do edifício. Uma bomba foi estourada pela polícia antes da invasão no intuito de distrair o seqüestrador. Entre a bomba e a retirada dos ocupantes do apartamento foram cerca de dois minutos.

    Em entrevista ao UOL, o consultor em segurança e ex-secretário Nacional de Segurança Pública, José Vicente da Silva, afirmou que os policiais poderiam ter evitado, pelo menos, que uma das vítimas fosse baleada.

    Imagens de televisão mostraram que as duas reféns foram retiradas, em macas, e levadas por uma ambulância. Segundo informações não oficiais, a ex-namorada foi retirada pela equipe de resgate e sua amiga saiu caminhando.

    Casos que ganharam repercussão

    De acordo com a Polícia Militar de São Paulo, o caso de cárcere privado de Santo André, com 100 horas de duração, foi o mais longo do gênero no Estado. Conheça outros casos semelhantes que ganharam grande repercussão recentemente


    O rapaz, acompanhado de policiais, foi levado a pé até um carro da polícia, que deixou o local rapidamente. Ele passou pelo 6º DP de Santo André, onde cerca de 300 moradores protestavam em frente à delegacia, para prestar depoimento e foi levado, com forte escolta policial, ao IML (Instituto Médico Legal) do município para realizar exame de corpo de delito. Segundo informações da rádio Jovem Pan, Lindemberg ocupa agora uma cela individual na sede da Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes), que fica ao lado do Cadeião de Santo André. Por questões de segurança, o jovem deve permanecer longe dos outros presos.

    Policiais fazem perícia no apartamento para buscar evidências e tentar reconstituir o momento da invasão.

    Foram mais de cem horas de cárcere privado, o mais longo episódio do gênero já registrado no Estado de São Paulo.

    Na tarde de hoje, o rapaz pediu para conversar com seu advogado, sua irmã e o cunhado dele. Eles entregaram a Alves um documento assinado pelo promotor de Justiça, Augusto Eduardo Rossini, que garantiu sua integridade física caso ele libertasse as reféns até a tarde de hoje.

    "Estamos aqui para apoiar a polícia e acompanhar a negociação. Nós queremos preservar a vida humana por isso o procurador determinou a minha presença aqui", afirmou Rossini, que foi enviado pelo procurador-geral de Justiça.

    O advogado e o promotor acreditavam que o fim do seqüestro se daria na tarde desta sexta. "Nós estamos bem próximos de um desfecho pacífico da situação. Fomos levar ao Lindemberg esta declaração que garante a integridade física até a liberação dos reféns. Estamos mostrando a certidão funcional que garante a identidade do promotor", disse o advogado, Eduardo Lopes. Após o desfecho do caso, Lopes afirmou que deixa o caso pois se "sentiu traído".

    O caso
    Alves entrou no apartamento, na tarde de segunda-feira (13), e rendeu, além da ex-namorada, uma amiga dela e dois garotos. Ele estaria inconformado com o fim do relacionamento. Os adolescentes foram libertados no mesmo dia, e a amiga da vítima havia sido liberada na terça-feira. A garota foi enviada para negociar com o acusado e acabou sendo rendida novamente por Alves ontem.

    O pai e o avô da garota dizem que foram pegos de surpresa quando souberam que ela voltaria ao apartamento. O coronel Eduardo Félix disse ter autorizado a ida da menina por acreditar que, assim, Lindemberg se entregaria sem ferir a ex-namorada --o que não ocorreu na quinta-feira.

    * Com informações de Daniela Paixão, em Santo André, e da Folha Online

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