Policiais civis de todo o país prometem parar no dia 29 em apoio a grevistas de SP

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

Depois do confronto de ontem entre policiais civis e militares - que deixou cerca de 30 feridos - nas proximidades do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo de São Paulo, sindicatos de policiais civis de diferentes Estados do país decidiram organizar uma paralisação de suas atividades no próximo dia 29 em apoio aos grevistas e em repúdio à maneira que eles classificam como "desrespeitosa" com que o governo paulista tem tratado os policiais. Uma das associações, a Adepol (Associação dos Delegados de Polícia do Brasil), promete parar por duas horas; a Federação Interestadual das Polícias Civis das Regiões Centro-Oeste e Norte, por sua vez, já fala em parar as atividades por até 24 horas.

"É preciso discutir a reforma da polícia", diz pesquisador

O diretor do Sindicato da Polícia Civil do Distrito Federal, Luciano Marinho de Moraes, integrante da Comissão de Segurança Pública do Congresso Nacional, iniciou ontem contatos com sindicatos de Norte, Nordeste, Centro-Oeste e Sudeste. "Caso o governo do Estado não dê uma resposta rápida às reivindicações, na semana que vem vamos paralisar as Polícias Civis de todo o Brasil por um dia."

Líderes do Sipesp (Sindicato dos Investigadores de Polícia do Estado de São Paulo) e do Sepesp (Sindicato dos Escrivães de Polícia do Estado de São Paulo) se reuniram na tarde desta sexta-feira com representantes da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e da Força Sindical para discutir os rumos da greve. Os sindicalistas planejam encontrar-se com o presidente Lula na capital paulista no sábado (18) pela manhã para entregar um documento referente ao movimento. As entidades que representam os policiais dizem que não são filiadas a nenhuma central sindical.

  • Alex Almeida/Folha Imagem

    Tropa de Choque da PM e policiais civis entraram em confronto na região do Morumbi, na zona oeste

  • Alex Almeida/Folha Imagem

    Carros da PM e a cavalaria foram acionados; houve confronto entre policiais e manifestantes

  • Alex Almeida/Folha Imagem

    Policiais civis tentaram passar pelo cordão de isolamento da PM para chegar ao Palácio dos Bandeirantes

Na semana passada, a categoria suspendeu a paralisação por 48 horas, na tentativa de dialogar com o governo. A expectativa era de que fosse feita uma nova proposta. O que não ocorreu.

O problema era todo em torno do índice de reajuste dos salários. O governo propõe aumento linear de 6,2% a policiais civis da ativa, aposentados e pensionistas; aposentadoria especial; reestruturação das carreiras com a eliminação da 5ª classe e a transformação da 4ª classe em estágio probatório; e a fixação de intervalos salariais de 10,5% entre as classes. O governo diz ainda que quer reajustar em 38% o salário base dos delegados.

Informações da Secretaria de Segurança Pública mostram que atualmente o salário dos investigadores e escrivãos de quinta classe é de R$ 1.432 nas cidades com até 200 mil habitantes. Para os delegados em início de carreira, o valor é de R$ 3.680. Segundo os grevistas, o salário-base dos policiais é R$ 508. Contando as bonificações, pode chegar a cerca de R$ 1.200.

Política
Em entrevista ao SPTV, da TV Globo, o governador de São Paulo, José Serra, criticou a manifestação dos policiais civis. "A maneira de fazer reivindicação não é pegar armas que estão destinadas ao enfrentamento de bandidos e apresentar em manifestações. É um movimento, enquanto movimento armado, absolutamente ilegal", disse, acusando os policiais civis de usar armas do Estado durante o protesto. A jornalistas, Serra afirmou que a manifestação tem cunho político.

O presidente do Sipesp, João Batista Rebouças, negou que a greve tenha um viés partidário, mas afirmou que se um novo conflito entre policiais civis e militares ocorrer, o governo federal terá de tomar medidas. Dirigentes de entidades que representam policias civis em outros Estados também rechaçam as acusações de Serra.

O confronto
Na tarde de quinta-feira (17), policiais civis entraram em confronto com policiais militares quando agentes da Polícia Civil, em greve há um mês, realizava passeata de protesto no local para pressionar o governo do Estado a retomar as negociações pelo fim do movimento.

Os manifestantes tentaram chegar ao Palácio dos Bandeirantes -sede do governo paulista-, mas foram impedidos pelo cordão de isolamento da Tropa de Choque da PM. Soldados reprimiram a passeata com o uso de bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha.

Mais de 30 pessoas ficaram feridas, sendo uma delas um cinegrafista de uma emissora de televisão. Os feridos foram levados para três hospitais. O Albert Einstein, próximo ao local do protesto, atendeu 19 pessoas. No início da tarde desta sexta-feira, três permaneciam em observação, com quadro clínico estável. Nenhum deles enfrenta estado grave, segundo informação do hospital.

Cinco feridos foram atendidos no hospital Itacolomy e outros seis, no São Luiz. Um dos pacientes, com fratura exposta em um dos dedos da mão direita, foi transferido para o hospital São Leopoldo. Outra vítima atendida no São Luiz sofreu queimaduras de terceiro grau na região abdominal. No Hospital Universitário, mais duas pessoas foram atendidas e liberadas em seguida.

Segundo informações preliminares da Associação dos Delegados de Polícia Civil do Estado de São Paulo, havia cerca de 5.000 policiais na manifestação.

Segundo nota do Palácio dos Bandeirantes, o confronto começou no momento em que o comando grevista aceitou proposta do governo estadual de enviar um representante ao local onde estava concentrada a manifestação para receber um documento com a posição dos manifestantes.

O Colégio Nacional dos Secretários de Segurança Pública, órgão que reúne os secretários estaduais de Segurança, divulgou nota lamentando o confronto entre policiais em São Paulo e oferecendo apoio ao titular da pasta de São Paulo, Ronaldo Marzagão.

Com informações da Agência Estado

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos