Reféns são baleadas e vão para o hospital em estado grave após a polícia invadir o local em Santo André (SP)

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

Atualizada às 20h30

A polícia invadiu o apartamento onde estava o rapaz Lindemberg Fernandes Alves, 22, e duas reféns (sua ex-namorada e uma amiga dela, ambas de 15 anos), por volta das 18h desta sexta-feira (17), em Santo André, no ABC paulista. O governo do Estado havia confirmado a morte da ex-namorada de Lindemberg, mas voltou atrás minutos depois e desmentiu a informação. O hospital não confirma a morte e afirma que a jovem está em estado grave e passa por cirurgia.

Veja imagens do fim do seqüestro


As jovens foram retiradas, e, segundo o coronel que comanda a operação, Eduardo Félix de Oliveira, a ex-namorada levou um tiro na cabeça e outro na virilha. A informação foi confirmada pelo hospital. A amiga da garota levou um tiro no rosto, mas passa bem. Ela foi levada para cirurgia por volta das 20h15. Ainda não há confirmação se os tiros foram disparados pelos policiais ou pelo rapaz.

O coronel afirma que eles invadiram o local porque escutaram tiros. "Ele [Lindemberg] estava irredutível. Estávamos preparados para esperar. A equipe que estava na lateral ouviu o tiro e entrou. Ele tinha cinco cartuchos disparados", afirmou o coronel.

Policiais do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais da Polícia Militar) chegaram ao local pela janela por uma escada, e pelas escadarias do edifício. Uma bomba foi estourada pela polícia antes da invasão no intuito de distrair o seqüestrador. Entre a bomba e a retirada dos ocupantes do apartamento foram cerca de 2 minutos.
  • Folha Imagem

    De vermelho, Lindemberg Fernandes Alves, 22, é detido por policiais do Gate durante resgate às reféns que eram mantidas em Santo André desde a última segunda-feira


Em entrevista ao UOL, o consultor em segurança e ex-secretário Nacional de Segurança Pública, José Vicente da Silva, afirmou que os policiais poderiam ter evitado, pelo menos, que uma das vítimas fosse baleada.

Imagens de televisão mostraram que as duas reféns foram retiradas, em macas, e levadas por uma ambulância. Segundo informações não oficiais, a ex-namorada foi retirada pela equipe de resgate e sua amiga saiu caminhando.

O rapaz, acompanhado de policiais, foi levado a pé até um carro da polícia, que deixou o local rapidamente. Ele passou pelo 6º DP de Santo André, onde cerca de 300 moradores protestavam em frente à delegacia, para prestar depoimento e foi levado, com forte escolta policial, ao IML (Instituto Médico Legal) do município para realizar exame de corpo de delito. Após o exame, Alves foi levado para a Cadeia Pública de Santo André.

Foram mais de cem horas de cárcere privado, o mais longo episódio do gênero já registrado no Estado de São Paulo.

Na tarde de hoje, o rapaz pediu para conversar com seu advogado, sua irmã e o cunhado dele. Eles entregaram a Alves um documento assinado pelo promotor de Justiça, Augusto Eduardo Rossini, que garantiu sua integridade física caso ele libertasse as reféns até a tarde de hoje.

"Estamos aqui para apoiar a polícia e acompanhar a negociação. Nós queremos preservar a vida humana por isso o procurador determinou a minha presença aqui", afirmou Rossini, que foi enviado pelo procurador-geral de Justiça.

Casos que ganharam repercussão

De acordo com a Polícia Militar de São Paulo, o caso de cárcere privado de Santo André, com 100 horas de duração, foi o mais longo do gênero no Estado. Conheça outros casos semelhantes que ganharam grande repercussão recentemente


O advogado e o promotor acreditavam que o fim do seqüestro se daria na tarde desta sexta. "Nós estamos bem próximos de um desfecho pacífico da situação. Fomos levar ao Lindemberg esta declaração que garante a integridade física até a liberação dos reféns. Estamos mostrando a certidão funcional que garante a identidade do promotor", disse o advogado, Eduardo Lopes. Após o desfecho do caso, Lopes afirmou que deixa o caso pois se "sentiu traído".

O caso
Alves entrou no apartamento, na tarde de segunda-feira (13), e rendeu, além da ex-namorada, uma amiga dela e dois garotos. Ele estaria inconformado com o fim do relacionamento. Os adolescentes foram libertados no mesmo dia, e a amiga da vítima havia sido liberada na terça-feira. A garota foi enviada para negociar com o acusado e acabou sendo rendida novamente por Alves ontem.

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O pai e o avô da garota dizem que foram pegos de surpresa quando souberam que ela voltaria ao apartamento. O coronel Eduardo Félix, do Batalhão de Choque da PM e um dos que chefiam as negociações, disse ter autorizado a ida da menina por acreditar que, assim, Lindemberg se entregaria sem ferir a ex-namorada --o que não ocorreu na quinta-feira.

* Com informações de Daniela Paixão, em Santo André, e da Folha Online

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