"Agi como se um de meus filhos estivesse lá", diz comandante do Gate

Da Redação

"Eu tenho três filhos e agi como se um deles estivesse ali dentro. Assim como todos aqui, somos treinados para ações desse tipo, mas infelizmente não somos perfeitos", disse Eduardo Félix, comandante do Batalhão de Choque da PM, em entrevista neste sábado (18) sobre o sequestro de 100 horas onde Lindemberg Fernandes Alves manteve sua ex-namorada em cárcere privado.

Para ele, a polícia não foi a culpada pelo final trágico do mais longo caso de cárcere privado do Estado de São Paulo. Segundo Félix, os policiais estavam preparados e fizeram tudo o que estava ao alcance para preservar as vidas dos envolvidos no caso.

Retorno da adolescente ao apartamento



    O comandante também afirmou que colocaria um de seus filhos para negociar com Lindemberg, como aconteceu com a amiga da ex-namorada que acabou atingida por um tiro na face.

    O coronel ressaltou que a equipe que cuidou das negociações tinha "feeling" para saber como usar as técnicas necessárias e assumir a responsabilidade por tudo o que foi feito.

    Sobre as críticas que a polícia vem recebendo em relação à maneira como o seqüestro foi conduzido, o capitão foi taxativo: "É muito fácil especialistas de plantão criticarem a ação sem nunca terem vivido isso", disparou.

    "Quem tirou a vida da ex-namorada de Lindemberg não foi o Gate. Este final foi produzido porque ele [Lindemberg] disparou dentro da residência num momento em que ele estava desequilibrado. O resultado final foi pela ação do agressor, não pela ação do Gate", finalizou.

    A invasão

    A polícia invadiu o apartamento onde estava o rapaz e duas reféns por volta das 18h desta sexta-feira (17).

    Veja imagens do fim do seqüestro

      O coronel que comanda a operação, Eduardo Félix de Oliveira, afirma que eles invadiram o local porque escutaram tiros. "Ele [Lindemberg] estava irredutível. Estávamos preparados para esperar. A equipe que estava na lateral ouviu o tiro e entrou. Ele tinha cinco cartuchos disparados", afirmou o coronel.

      Policiais do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais da Polícia Militar) chegaram ao local pela janela por uma escada, e pelas escadarias do edifício. Uma bomba foi estourada pela polícia antes da invasão no intuito de distrair o seqüestrador. Entre a bomba e a retirada dos ocupantes do apartamento foram cerca de dois minutos.

      Em entrevista ao UOL, o consultor em segurança e ex-secretário Nacional de Segurança Pública, José Vicente da Silva, afirmou que os policiais poderiam ter evitado, pelo menos, que uma das vítimas fosse baleada.

      Imagens de televisão mostraram que as duas reféns foram retiradas, em macas, e levadas por uma ambulância. Segundo informações não oficiais, a ex-namorada foi retirada pela equipe de resgate e sua amiga saiu caminhando.

      O rapaz, acompanhado de policiais, foi levado a pé até um carro da polícia, que deixou o local rapidamente. Ele passou pelo 6º DP de Santo André, onde cerca de 300 moradores protestavam em frente à delegacia, para prestar depoimento e foi levado, com forte escolta policial, ao IML (Instituto Médico Legal) do município para realizar exame de corpo de delito. Segundo informações da rádio Jovem Pan, Lindemberg ocupa agora uma cela individual na sede da Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes), que fica ao lado do Cadeião de Santo André. Por questões de segurança, o jovem deve permanecer longe dos outros presos.


      Policiais fazem perícia no apartamento para buscar evidências e tentar reconstituir o momento da invasão.

      Foram mais de cem horas de cárcere privado, o mais longo episódio do gênero já registrado no Estado de São Paulo.

      Na tarde de sexta, o rapaz pediu para conversar com seu advogado, sua irmã e o cunhado dele. Eles entregaram a Alves um documento assinado pelo promotor de Justiça, Augusto Eduardo Rossini, que garantiu sua integridade física caso ele libertasse as reféns até a tarde de sexta.

      "Estamos aqui para apoiar a polícia e acompanhar a negociação. Nós queremos preservar a vida humana por isso o procurador determinou a minha presença aqui", afirmou Rossini, que foi enviado pelo procurador-geral de Justiça.

      Advogado de seqüestrador
      deixa o caso

        O advogado e o promotor acreditavam que o fim do seqüestro se daria na tarde desta sexta. "Nós estamos bem próximos de um desfecho pacífico da situação. Fomos levar ao Lindemberg esta declaração que garante a integridade física até a liberação dos reféns. Estamos mostrando a certidão funcional que garante a identidade do promotor", disse o advogado, Eduardo Lopes. Após o desfecho do caso, Lopes afirmou que deixa o caso pois se "sentiu traído".

        O caso

        Alves entrou no apartamento, na tarde de segunda-feira (13), e rendeu, além da ex-namorada, uma amiga dela e dois garotos. Ele estaria inconformado com o fim do relacionamento. Os adolescentes foram libertados no mesmo dia, e a amiga da vítima havia sido liberada na terça-feira. A garota foi enviada para negociar com o acusado e acabou sendo rendida novamente por Alves ontem.

        O pai e o avô da garota dizem que foram pegos de surpresa quando souberam que ela voltaria ao apartamento. O coronel Eduardo Félix disse ter autorizado a ida da menina por acreditar que, assim, Lindemberg se entregaria sem ferir a ex-namorada --o que não ocorreu na quinta-feira.

        * Com informações da Redação, em São Paulo, e da Folha Online

        Receba notícias do UOL. É grátis!

        Facebook Messenger

        As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

        Começar agora

        Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

        UOL Cursos Online

        Todos os cursos