Comando da PM rejeita culpa por final trágico em seqüestro e diz que tiros que atingiram garotas vieram de Lindemberg

Do UOL Notícias
Em São Paulo

A Polícia Militar de São Paulo afirma que só invadiu o apartamento onde Lindemberg Fernandes Alves mantinha a ex-namorada de 15 anos junto com uma amiga dela da mesma idade em cárcere privado depois que ele disparou o primeiro tiro. O comando do policiamento de choque da PM rejeita culpa pelo final trágico do seqüestro que durou mais de cem horas na periferia de Santo André (região do ABC paulista). As duas menores foram baleadas e o seqüestrador foi preso depois da ação do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais da Polícia Militar) entre o final da tarde e o início da noite de sexta. A ex-namorada de Lindemberg está em estado de coma irreversível, segundo a equipe médica que cuida dela.

  • Folha Imagem

    Radiografia mostra bala alojada no crânio de adolescente

O comandante Eduardo Félix salientou que na operação de invasão do local, o grupo só usou armas não-letais. De acordo com ele, a invasão tática só ocorre quando há risco para as vítimas e até aquele momento a polícia estava tentando que o jovem se entregasse.

"Ele deu o primeiro tiro e, na hora da entrada no apartamento, ele descarregou cinco projéteis contra a polícia e as moças. Dois atingiram a ex-namorada, um a amiga e um foi encontrado na parede. A outra eu não sei".

Para o comandante a operação era de alto risco e o resultado não foi o esperado, mas não foi culpa do Gate.

Questionados sobre o uso de soníferos e gases, os comandantes disseram que essas drogas não têm efeito imediato e que as consequências são imprevisíveis quando o sequestrador possui uma

A transferência de Lindemberg

    arma de fogo em mãos. Além disso, afirmaram que o uso de gases poderia matar todos que estavam no apartamento, já que "cada pessoa age de um modo".

    Brigas

    Comandantes da operação revelaram que Lindemberg Fernandes Alves brigava muito com a ex-namorada durante os 4 dias em que a manteve em cárcere privado em Santo André (SP). "A amiga contou que durante as brigas ele batia na ex-namorada", contou o coronel Eduardo José Félix.

    A ex-namorada não parecia se abater com as agressões, que envolviam chutes e tapas, e discutia com Lindemberg e "até o provocava", contou o coronel reproduzindo depoimento da amiga da garota.

    Durante o tempo em que ficou no apartamento, a amiga informou que Lindemberg não ficava o tempo todo com a arma apontada para elas. "Haviam momentos de descontração, de conversas sobre dia-a-dia", diz o coronel que podia ouvir o que era dito no local por escutas.

    Veja imagens do fim do seqüestro

      A invasão

      A polícia invadiu o apartamento onde estava o rapaz e duas reféns por volta das 18h desta sexta-feira (17).

      O coronel que comanda a operação, Eduardo Félix de Oliveira, afirma que eles invadiram o local porque escutaram tiros. "Ele [Lindemberg] estava irredutível. Estávamos preparados para esperar. A equipe que estava na lateral ouviu o tiro e entrou. Ele tinha cinco cartuchos disparados", afirmou o coronel.

      Policiais do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais da Polícia Militar) chegaram ao local pela janela por uma escada, e pelas escadarias do edifício. Uma bomba foi estourada pela polícia antes da invasão no intuito de distrair o seqüestrador. Entre a bomba e a retirada dos ocupantes do apartamento foram cerca de dois minutos.

      José Serra defende ação da polícia

        Em entrevista ao UOL, o consultor em segurança e ex-secretário Nacional de Segurança Pública, José Vicente da Silva, afirmou que os policiais poderiam ter evitado, pelo menos, que uma das vítimas fosse baleada.

        Imagens de televisão mostraram que as duas reféns foram retiradas, em macas, e levadas por uma ambulância. Segundo informações não oficiais, a ex-namorada foi retirada pela equipe de resgate e sua amiga saiu caminhando.

        O rapaz, acompanhado de policiais, foi levado a pé até um carro da polícia, que deixou o local rapidamente. Ele passou pelo 6º DP de Santo André, onde cerca de 300 moradores protestavam em frente à delegacia, para prestar depoimento e foi levado, com forte escolta policial, ao IML (Instituto Médico Legal) do município para realizar exame de corpo de delito. Segundo informações da rádio Jovem Pan, Lindemberg ocupa agora uma cela individual na sede da Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes), que fica ao lado do Cadeião de Santo André. Por questões de segurança, o jovem deve permanecer longe dos outros presos.


        Policiais fazem perícia no apartamento para buscar evidências e tentar reconstituir o momento da invasão.

        Foram mais de cem horas de cárcere privado, o mais longo episódio do gênero já registrado no Estado de São Paulo.

        Na tarde de sexta, o rapaz pediu para conversar com seu advogado, sua irmã e o cunhado dele. Eles entregaram a Alves um documento assinado pelo promotor de Justiça, Augusto Eduardo Rossini, que garantiu sua integridade física caso ele libertasse as reféns até a tarde de sexta.

        "Estamos aqui para apoiar a polícia e acompanhar a negociação. Nós queremos preservar a vida humana por isso o procurador determinou a minha presença aqui", afirmou Rossini, que foi enviado pelo procurador-geral de Justiça.

        Advogado de seqüestrador
        deixa o caso

          O advogado e o promotor acreditavam que o fim do seqüestro se daria na tarde desta sexta. "Nós estamos bem próximos de um desfecho pacífico da situação. Fomos levar ao Lindemberg esta declaração que garante a integridade física até a liberação dos reféns. Estamos mostrando a certidão funcional que garante a identidade do promotor", disse o advogado, Eduardo Lopes. Após o desfecho do caso, Lopes afirmou que deixa o caso pois se "sentiu traído".

          O caso

          Alves entrou no apartamento, na tarde de segunda-feira (13), e rendeu, além da ex-namorada, uma amiga dela e dois garotos. Ele estaria inconformado com o fim do relacionamento. Os adolescentes foram libertados no mesmo dia, e a amiga da vítima havia sido liberada na terça-feira. A garota foi enviada para negociar com o acusado e acabou sendo rendida novamente por Alves ontem.

          O pai e o avô da garota dizem que foram pegos de surpresa quando souberam que ela voltaria ao apartamento. O coronel Eduardo Félix disse ter autorizado a ida da menina por acreditar que, assim, Lindemberg se entregaria sem ferir a ex-namorada --o que não ocorreu na quinta-feira.

          * Com informações da Redação, em São Paulo, e da Folha Online

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