Garota baleada em Santo André permanece em estado gravíssimo; amiga está consciente

Da Redação

O estado de saúde da ex-namorada de Lindemberg Fernandes Alves, baleada durante sequestro encerrado no final da tarde de sexta-feira (17) em Santo André (SP), continua gravíssimo e seu quadro apresentou instabilidade durante a noite. Agora, a jovem está sendo retirada do coma induzido.

A amiga da garota, também de 15 anos, está consciente, na unidade semi-intensiva. As informações foram passadas pelo Hospital Municipal de Santo André na manhã deste sábado (18).

Estado de saúde de vítima de seqüestro baleada é gravíssimo

    Na madrugada, a bala na região da virilha foi retirada, mas o projétil que se instalou no cerebelo da garota não pôde ser removido. O dreno colocado na base do crânio apresenta grande sangramento, o que caracteriza hemorragia.

    O ferimento, segundo a diretora do hospital, Rosa Maria Pinto Aguiar, tem características de tiro à queima-roupa.

    Primeiro atendimento

    A médica neurocirurgiã responsável pela operação, Grace Mayre Lydia, informou que a jovem já chegou no hospital em coma e que foi preciso fazer uma craniotomia, um procedimento de abertura do crânio, porque a bala entrou pelo lado direito da cabeça e se alojou do outro lado, percorrendo todo o cérebro.

    "Ainda não dá para falar de seqüela. Apenas que o estado de saúde é gravíssimo. A gente fez o que pode, mas a lesão era muito grave", disse a médica, que complementou informando que a jovem tem um grande edema no cérebro.

    Após a cirurgia, a adolescente foi transferida para a UTI, onde ficará em observação. "Temos que aguardar agora de 24 a 48 horas", complementou Lydia.

    A bala retirada da virilha foi entregue à polícia para passar por perícia.

    • Folha Imagem

      De vermelho, Lindemberg Fernandes Alves, 22, é detido por policiais do Gate durante resgate às reféns que eram mantidas em Santo André desde a última segunda-feira

    A amiga da ex-namorada de Lindemberg também passou por uma cirurgia. O responsável pela operação foi o doutor Gabriel Pastore, cirurgião-bucomaxilofacial. Segundo ele, a bala entrou do lado direito do nariz e quebrou os ossos de sustentação do nariz e do lábio. Pastore informou que a situação foi revertida, mas que não foi possível fazer uma reconstituição porque os ossos estavam muito estilhaçados. A garota será transferida para a unidade de terapia semi-intensiva e deve ficar hospitalizada por uma semana. Pastore disse, ainda, que só depois de 60 dias a garota poderá passar por uma cirurgia reparadora estética.

    A invasão

    A polícia invadiu o apartamento onde estava o rapaz e duas reféns por volta das 18h desta sexta-feira (17).

    Veja imagens do fim do seqüestro

      O coronel que comanda a operação, Eduardo Félix de Oliveira, afirma que eles invadiram o local porque escutaram tiros. "Ele [Lindemberg] estava irredutível. Estávamos preparados para esperar. A equipe que estava na lateral ouviu o tiro e entrou. Ele tinha cinco cartuchos disparados", afirmou o coronel.

      Policiais do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais da Polícia Militar) chegaram ao local pela janela por uma escada, e pelas escadarias do edifício. Uma bomba foi estourada pela polícia antes da invasão no intuito de distrair o seqüestrador. Entre a bomba e a retirada dos ocupantes do apartamento foram cerca de dois minutos.

      Em entrevista ao UOL, o consultor em segurança e ex-secretário Nacional de Segurança Pública, José Vicente da Silva, afirmou que os policiais poderiam ter evitado, pelo menos, que uma das vítimas fosse baleada.

      Imagens de televisão mostraram que as duas reféns foram retiradas, em macas, e levadas por uma ambulância. Segundo informações não oficiais, a ex-namorada foi retirada pela equipe de resgate e sua amiga saiu caminhando.

      O rapaz, acompanhado de policiais, foi levado a pé até um carro da polícia, que deixou o local rapidamente. Ele passou pelo 6º DP de Santo André, onde cerca de 300 moradores protestavam em frente à delegacia, para prestar depoimento e foi levado, com forte escolta policial, ao IML (Instituto Médico Legal) do município para realizar exame de corpo de delito. Segundo informações da rádio Jovem Pan, Lindemberg ocupa agora uma cela individual na sede da Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes), que fica ao lado do Cadeião de Santo André. Por questões de segurança, o jovem deve permanecer longe dos outros presos.


      Policiais fazem perícia no apartamento para buscar evidências e tentar reconstituir o momento da invasão.

      Foram mais de cem horas de cárcere privado, o mais longo episódio do gênero já registrado no Estado de São Paulo.

      Na tarde de sexta, o rapaz pediu para conversar com seu advogado, sua irmã e o cunhado dele. Eles entregaram a Alves um documento assinado pelo promotor de Justiça, Augusto Eduardo Rossini, que garantiu sua integridade física caso ele libertasse as reféns até a tarde de sexta.

      "Estamos aqui para apoiar a polícia e acompanhar a negociação. Nós queremos preservar a vida humana por isso o procurador determinou a minha presença aqui", afirmou Rossini, que foi enviado pelo procurador-geral de Justiça.

      Advogado de seqüestrador
      deixa o caso

        O advogado e o promotor acreditavam que o fim do seqüestro se daria na tarde desta sexta. "Nós estamos bem próximos de um desfecho pacífico da situação. Fomos levar ao Lindemberg esta declaração que garante a integridade física até a liberação dos reféns. Estamos mostrando a certidão funcional que garante a identidade do promotor", disse o advogado, Eduardo Lopes. Após o desfecho do caso, Lopes afirmou que deixa o caso pois se "sentiu traído".

        O caso

        Alves entrou no apartamento, na tarde de segunda-feira (13), e rendeu, além da ex-namorada, uma amiga dela e dois garotos. Ele estaria inconformado com o fim do relacionamento. Os adolescentes foram libertados no mesmo dia, e a amiga da vítima havia sido liberada na terça-feira. A garota foi enviada para negociar com o acusado e acabou sendo rendida novamente por Alves ontem.

        O pai e o avô da garota dizem que foram pegos de surpresa quando souberam que ela voltaria ao apartamento. O coronel Eduardo Félix disse ter autorizado a ida da menina por acreditar que, assim, Lindemberg se entregaria sem ferir a ex-namorada --o que não ocorreu na quinta-feira.

        * Com informações da Redação, em São Paulo, e da Folha Online

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