Lindemberg Alves, seqüestrador das adolescentes de Santo André, não dá declarações

Da Redação

Lindemberg Fernandes Alves, 22, o jovem que seqüestrou duas adolescentes em Santo André, ABC Paulista, foi levado na madrugada deste sábado (18) para o Centro de Detenção Provisória de Pinheiros, zona oeste da cidade de São Paulo.

A transferência de Lindemberg

    Segundo a assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública do Estado de São Paulo, Lindemberg Alvez permaneceu calado durante o depoimento dele no 6º DP de Santo André, também nesta madrugada.

    Ainda de acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria, o sequestrador foi levado para o CDP de Pinheiros porque no local havia vaga para recebê-lo.

    A invasão

    A polícia invadiu o apartamento onde estava o rapaz e duas reféns por volta das 18h desta sexta-feira (17).

    O coronel que comanda a operação, Eduardo Félix de Oliveira, afirma que eles invadiram o local porque escutaram tiros. "Ele [Lindemberg] estava irredutível. Estávamos preparados para esperar. A equipe que estava na lateral ouviu o tiro e entrou. Ele tinha cinco cartuchos disparados", afirmou o coronel.

    Veja imagens do fim do seqüestro

      Policiais do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais da Polícia Militar) chegaram ao local pela janela por uma escada, e pelas escadarias do edifício. Uma bomba foi estourada pela polícia antes da invasão no intuito de distrair o seqüestrador. Entre a bomba e a retirada dos ocupantes do apartamento foram cerca de dois minutos.

      Em entrevista ao UOL, o consultor em segurança e ex-secretário Nacional de Segurança Pública, José Vicente da Silva, afirmou que os policiais poderiam ter evitado, pelo menos, que uma das vítimas fosse baleada.

      Imagens de televisão mostraram que as duas reféns foram retiradas, em macas, e levadas por uma ambulância. Segundo informações não oficiais, a ex-namorada foi retirada pela equipe de resgate e sua amiga saiu caminhando.

      O rapaz, acompanhado de policiais, foi levado a pé até um carro da polícia, que deixou o local rapidamente. Ele passou pelo 6º DP de Santo André, onde cerca de 300 moradores protestavam em frente à delegacia, para prestar depoimento e foi levado, com forte escolta policial, ao IML (Instituto Médico Legal) do município para realizar exame de corpo de delito. Segundo informações da rádio Jovem Pan, Lindemberg ocupa agora uma cela individual na sede da Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes), que fica ao lado do Cadeião de Santo André. Por questões de segurança, o jovem deve permanecer longe dos outros presos.


      Policiais fazem perícia no apartamento para buscar evidências e tentar reconstituir o momento da invasão.

      Foram mais de cem horas de cárcere privado, o mais longo episódio do gênero já registrado no Estado de São Paulo.

      Na tarde de sexta, o rapaz pediu para conversar com seu advogado, sua irmã e o cunhado dele. Eles entregaram a Alves um documento assinado pelo promotor de Justiça, Augusto Eduardo Rossini, que garantiu sua integridade física caso ele libertasse as reféns até a tarde de sexta.

      "Estamos aqui para apoiar a polícia e acompanhar a negociação. Nós queremos preservar a vida humana por isso o procurador determinou a minha presença aqui", afirmou Rossini, que foi enviado pelo procurador-geral de Justiça.

      Advogado de seqüestrador
      deixa o caso

        O advogado e o promotor acreditavam que o fim do seqüestro se daria na tarde desta sexta. "Nós estamos bem próximos de um desfecho pacífico da situação. Fomos levar ao Lindemberg esta declaração que garante a integridade física até a liberação dos reféns. Estamos mostrando a certidão funcional que garante a identidade do promotor", disse o advogado, Eduardo Lopes. Após o desfecho do caso, Lopes afirmou que deixa o caso pois se "sentiu traído".

        O caso

        Alves entrou no apartamento, na tarde de segunda-feira (13), e rendeu, além da ex-namorada, uma amiga dela e dois garotos. Ele estaria inconformado com o fim do relacionamento. Os adolescentes foram libertados no mesmo dia, e a amiga da vítima havia sido liberada na terça-feira. A garota foi enviada para negociar com o acusado e acabou sendo rendida novamente por Alves ontem.

        O pai e o avô da garota dizem que foram pegos de surpresa quando souberam que ela voltaria ao apartamento. O coronel Eduardo Félix disse ter autorizado a ida da menina por acreditar que, assim, Lindemberg se entregaria sem ferir a ex-namorada --o que não ocorreu na quinta-feira.

        * Com informações da Redação, em São Paulo, e da Folha Online

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