Nayara passa bem, mas corre risco de infecção

Do UOL Notícias*
Em São Paulo

Nayara, amiga de Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, não deve deixar o hospital antes do fim de semana. Essa é a perspectiva dos médicos que atendem a garota, envolvida no mais longo cárcere privado do Estado de São Paulo. As duas adolescentes foram feitas reféns pelo ex-namorado de Eloá, Lindembergue Alves, em Santo André, no ABC paulista.

CÁRCERE PRIVADO NO ABC
Reprodução
Eloá, amiga de Nayara, teve morte cerebral na noite de sábado (18)
VEJA CRONOLOGIA DA TRAGÉDIA
DEIXE MENSAGENS PARA FAMÍLIA
Boletim divulgado hoje aponta que Nayara passa bem, apresenta um quadro estável e já conversa com os médicos. Ela não será liberada rapidamente pelo risco de infecção depois de enfrentar uma cirurgia para retirar a bala que se alojou na arcada dentária superior esquerda, no lugar do canino. Segundo o hospital, dificilmente o risco de infecção será descartado antes do fim de semana.

Os médicos informaram que Nayara, também de 15 anos, ainda não foi informada da morte da amiga Eloá e acredita que a garota também se encontra hospitalizada no Centro Hospitalar Municipal de Santo André. Segundo o hospital, é a família da menina que deve informá-la da tragédia.

Tiros partiram de Lindemberg diz polícia

O delegado da seccional de Santo André, Luis Carlos dos Santos, confirmou na manhã deste domingo (19) que os tiros que acertaram as duas jovens partiram de Lindemberg Alves, que manteve sua ex-namorada e uma amiga em cárcere privado por mais de cem horas em Santo André (SP).

"Todos os disparos ocorridos no apartamento foram feitos por Lindemberg. Apenas um disparo de calibre 12 de borracha foi feito pela polícia".

Ex-namorada tem morte cerebral

Eloá Cristina Pimentel, de 15 anos, teve morte cerebral, às 23h30 deste sábado (18), de acordo com os médicos do Hospital Municipal de Santo André. A família doará os órgãos de Eloá.

Morte cerebral


    A jovem já havia entrado em estado de coma irreversível na tarde de sábado, mas, para seguir um protocolo médico, era necessário esperar mais seis horas para confirmar a morte cerebral.

    Lindemberg Alves está isolado em Centro de Detenção

    Detido no Centro de Detenção Provisória de Pinheiros, na zona oeste de São Paulo, deste a tarde de sábado (18), Lindembergue Alves está sozinho numa cela do Segundo Pavilhão. Isolado dos demais presos, ele não chorou, não dormiu, não comeu nem bebeu. Alves só dizia: "Quero Eloá. Eu amo a Eloá. Ela é tudo em minha vida".

    Os presos do CDP não aceitam a presença de Alves na cadeia e já ameaçaram matá-lo. Na sexta-feira (17), traficantes do Jardim Santo André ameaçaram expulsar a família do seqüestrador e matá-lo na cadeia, por "afetar o movimento de venda de drogas nas imediações".

    A transferência de Lindemberg




      Inicialmente, o seqüestrador foi levado para o 6º Distrito Policial de Santo André, onde se recusou a falar sobre o fato, segundo a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo. Foi levado, com forte escolta policial, ao IML (Instituto Médico Legal) do município para realizar exame de corpo de delito, passou pela sede da Dise (Delegacia de Investigações sobre Entorpecentes) e, finalmente, foi transferido para o CDP de Pinheiros.


      Na sexta (17), pouco antes da invasão, ele disse ao grupo que negociava sua rendição: "Tenho um anjinho e um diabinho do meu lado. Estou ouvindo mais o diabinho" e logo depois completou: "invade essa porra logo, quero que você invada. Tô falando para você invadir". (Ouça mais trechos da negociação)

      Ainda na sexta, o rapaz pediu para conversar com seu advogado, Eduardo Lopes, sua irmã e o cunhado dele. Eles entregaram a Alves um documento assinado pelo promotor de Justiça, Augusto Eduardo Rossini, que garantiu sua integridade física caso ele libertasse as reféns até a tarde de sexta.

      O advogado e o promotor acreditavam que o fim do seqüestro se daria na tarde da sexta. Lopes decidiu deixar o caso pois se "sentiu traído" após o desfecho da ação.

      O caso

      • Joel Silva/Folha Imagem

        Álbum de fotos com cronologia
        da tragédia de Santo André (SP)

      Lindemberg Alves entrou no apartamento da jovem, na tarde de segunda-feira (13), e rendeu, além da ex-namorada, uma amiga dela e dois garotos porque estava inconformado com o fim do relacionamento. Os dois garotos foram liberados no mesmo dia e a menina que, apesar de ter sido libertada 33 horas depois, retornou ao apartamento a quinta-feira (16).

      Foram mais de cem horas de cárcere privado, o mais longo episódio do gênero já registrado no Estado de São Paulo.

      A invasão

      A Polícia Militar invadiu o apartamento por volta das 18h10 desta sexta (17). No mesmo horário, a Polícia Militar reunia a imprensa para uma entrevista perto do prédio —segundo a corporação, seria para comunicar o impasse nas negociações.

      Após uma explosão —aparentemente, uma bomba de efeito moral jogada no apartamento —, policiais militares do Gate (Grupo de Ações Táticas Especiais) entraram no apartamento —alguns pela janela. Foram ouvidos três estampidos, semelhantes a tiros.

      Reportagem da Bandnews sobre o que aconteceu dentro do apartamento, segundo informações da polícia



        A Polícia Militar afirmou que invadiu o apartamento após ouvir um tiro e porque o comportamento de Alves, durante tarde, era muito agressivo. Alves foi preso, aparentemente, sem ferimentos graves. As duas reféns foram baleadas —a ex-namorada por dois tiros (um na virilha e outro no crânio) e a amiga por um disparo na face. Ambas saíram do apartamento em macas e foram levadas por uma ambulância. A ex-namorada foi retirada pela equipe de resgate, já sua amiga saiu caminhando.

        Em entrevista ao UOL, o consultor em segurança e ex-secretário Nacional de Segurança Pública, José Vicente da Silva, afirmou que os policiais poderiam ter evitado, pelo menos, que uma das vítimas fosse baleada.

        PM rejeita culpa por final trágico

        De acordo com a PM, os policiais só invadiram o apartamento depois de ele disparar o primeiro tiro. O comando do policiamento de choque da PM rejeita culpa pelo final trágico do seqüestro.

        José Serra defende ação da polícia

          O comandante Eduardo Félix salientou que na operação de invasão do local, o grupo só usou armas não-letais. De acordo com ele, a invasão tática só ocorre quando há risco para as vítimas e até aquele momento a polícia estava tentando que o jovem se entregasse.

          "Ele deu o primeiro tiro e, na hora da entrada no apartamento, ele descarregou cinco projéteis contra a polícia e as moças. Dois atingiram a ex-namorada, um a amiga e um foi encontrado na parede. A outra eu não sei".

          Para o comandante a operação era de alto risco e o resultado não foi o esperado, mas não foi culpa do Gate.

          Questionados sobre o uso de soníferos e gases, os comandantes disseram que essas drogas não têm efeito imediato e que as consequências são imprevisíveis quando o sequestrador possui uma arma de fogo em mãos. Além disso, afirmaram que o uso de gases poderia matar todos que estavam no apartamento, já que "cada pessoa age de um modo".

          De acordo com o diretor do Instituto de Criminalística (IC) de Santo André (Grande São Paulo), Nelson Rodrigues, pelo menos um dos tiros que atingiram a ex-namorada de Alves foi disparado à queima-roupa. Segundo ele, a garota provavelmente estava deitada no momento em que foi atingida na virilha.

          Brigas durante cárcere

          Veja imagens do fim do seqüestro

            Comandantes da operação revelaram que Lindemberg Fernandes Alves brigava muito com a ex-namorada durante os 4 dias em que a manteve em cárcere privado em Santo André (SP). "A amiga contou que durante as brigas ele batia na ex-namorada", disse o coronel Eduardo José Félix.

            A ex-namorada não parecia se abater com as agressões, que envolviam chutes e tapas, e discutia com Lindemberg e "até o provocava", contou o coronel reproduzindo depoimento da amiga da garota.

            Durante o tempo em que ficou no apartamento, a amiga informou que Lindemberg não ficava o tempo todo com a arma apontada para elas. "Haviam momentos de descontração, de conversas sobre dia-a-dia", diz o coronel que podia ouvir o que era dito no local por escutas.


            * Com informações da Redação, em São Paulo, da Folha Online e da Agência Estado

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