Eleições alteram estratégia de combate à dengue, diz Temporão

Juliana Castro
Do UOL Notícias
No Rio de Janeiro

O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, lançou nesta segunda-feira (20) a Campanha Nacional de Combate à Dengue e afirmou que, com a realização das eleições municipais em todo o país, houve uma mudança de estratégia na prevenção da doença e que "todo esse trabalho é para que não se tenha uma repetição do que aconteceu no Rio de Janeiro em 2008".

"Tem algumas características esse ano que mudam bastante a estratégia. Primeiro não podemos correr o risco de que, por conta do processo eleitoral e da mudança do prefeito, se tenha uma descontinuidade da política [de combate ao mosquito]", disse Temporão após o lançamento da campanha, na Fiocruz, no Rio de Janeiro. Ele informou que vai convocar as equipes de transição para pedir prioridade no combate à dengue.

A campanha começa a ser veiculada nesta segunda-feira na televisão, rádio e Internet e o seu lançamento acontece após a pior epidemia de dengue do Estado do Rio de Janeiro, com 174 mortes confirmadas e quase 250 mil casos registrados até o início de outubro.

De acordo com Temporão, outra estratégia é aliar a informação à mobilização coletiva para combater os focos do mosquito. "Uma série de avaliações que fizemos mostra que o brasileiro, em geral, tem razoavelmente informação da doença. Há uma percepção de que a informação é fundamental, mas não é suficiente", informou o ministro, explicando que é preciso mais mobilização.

O número de casos no Brasil teve um aumento de 40% até agosto deste ano, em relação a 2007. De acordo com Temporão, o principal motivo para a elevação do número de infectados foi a epidemia que ocorreu durante o primeiro semestre no Rio de Janeiro.

Para a campanha cujo tema é "Brasil unido contra a dengue", foram investidos R$ 40,3 milhões. Ao todo, a estratégia de combate à doença custará R$ 1,08 bilhão, valor 23% maior do que foi aplicado no último ano. O gasto é semelhante aos custos da produção do coquetel contra a Aids.

O movimento para alertar a população conta com três fases: a primeira ressalta a importância da limpeza antes do período de chuvas. A segunda está voltada para a mobilização e o combate aos focos e a terceira fase esclarece sobre os sintomas da doença.

Força Nacional de Saúde
O ministro informou que recrutas das Forças Armadas começarão a ser treinados imediatamente para agir em casos de emergência da mesma forma como atua a Força Nacional de Segurança. "Nós vamos ter um exército de reserva. Onde for necessário, esse exército pode ser mobilizado para combater os vetores", disse Temporão.

"Se necessário, em situações de risco, onde nós temos um número grande de casos e os postos de saúde não conseguem atender a demanda, as Forças Armadas vão nos apoiar como fizeram no Rio de Janeiro com tendas de hidratação e hospitais de campanha", informou o ministro, dizendo que haverá atenção especial para as regiões Norte, Nordeste e Sudeste. No Rio de Janeiro, haverá preocupação com a Baixada Fluminense.

Rio sofre com casos
O Estado do Rio de Janeiro sofre com a dengue. Desde 1998, foram quase 777 mil casos registrados com 336 mortes confirmadas. No verão, com o calor e as chuvas, a incidência de casos aumenta.

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