Polícia de Alagoas diz que pai de Eloá é procurado pelo assassinato do irmão do ex-governador Ronaldo Lessa

Mônica Cavalcante*
Especial para o UOL
Em Maceió (AL)

A polícia de Alagoas sustenta que o homem chamado de Aldo José da Silva, que apareceu nas emissoras de televisão após passar mal durante o seqüestro da filha Eloá Cristina Pimentel, é, na verdade, Everaldo Pereira dos Santos, o "Amarelinho", ex-militar que perdeu a farda por ser acusado de vários crimes cometidos em seu Estado. O mais expressivo deles - e pelo qual ele tem o mandado de prisão - é o assassinato do delegado Ricardo Lessa, irmão do ex-governador de Alagoas Ronaldo Lessa.

  • Rivaldo Gomes/Folha Imagem

    O pai de Eloá, que se apresentou como Aldo, aparece em foto ao ser socorrido no último dia 16 em Santo André após as negociações do seqüestro terem falhado. A Polícia Civil de Alagoas suspeita que ele seja foragido, acusado de participar de um assassinato

Na época do crime, em Maceió, além do delegado, foi morto também seu motorista Antenor Carlota. O promotor de Justiça Luiz Vasconcelos, que atua na 9ª Vara Criminal, disse que "oficiosamente" está confirmado: Aldo na verdade seria o nome falso do ex-cabo Everaldo, que teria sido expulso da PM por envolvimento na "gangue fardada", responsável por vários crimes de pistolagem, roubos de carros e assaltos em Alagoas, sob o comando do ex-tenente-coronel Manoel Cavalcante, que se encontra preso no presídio militar do Rio de Janeiro.

Além do ex-cabo Everaldo e do ex-tenente-coronel Cavalcante, figuram como réus no processo do caso Ricardo Lessa: Valdomiro dos Santos Barros, Valmir dos Santos, José Carlos de Oliveira, José Luiz da Silva Filho, Aderildo Mariz Ferreira, Cicero Felizardo dos Santos, Edgar Romero de Morais Barros.

O juiz da 9ª Vara Criminal Geraldo Amorim, responsável pelo caso, declara que são muitos delitos em que Everaldo está envolvido. "A ficha criminal de Everaldo Pereira dos Santos é vasta. Ele é acusado também de participação em uma rede criminosa, intitulada na época como gangue fardada", declarou Amorim.

De acordo com o site do Tribunal de Justiça de Alagoas (www.tj.al.gov.br), o processo contra Everaldo corre na justiça desde 1993 e foi suspenso em janeiro de 2008. Segundo o magistrado responsável, o processo foi renovado em julho deste ano e encaminhado para a polícia paulista. O magistrado disse ainda que o acusado deve ser preso e enviado para a capital alagoana. "Independente do momento difícil pelo qual ele passa, precisa ser preso e enviado para Maceió."

Segundo o promotor Luiz Vasconcelos, contra Everaldo consta inclusive um mandado de prisão reeditado em 21 de julho de 2008, pelo juiz Geraldo Amorim, da 9ª Vara Criminal do Fórum de Maceió, a respeito do assassinato de Ricardo Lessa.

"O trabalho da Justiça foi feito, foi expedido um mandado de prisão, agora cabe à polícia cumprir a parte dela, entrando em contato com São Paulo para confirmar se esse Aldo é mesmo ex-cabo Everaldo", afirmou Luiz Vasconcelos, acrescentando ainda que tomou conhecimento que a família do ex-cabo Everaldo teria confirmado que o ex-militar seria o pai da garota Eloá.

"Por isso que o pai não queria aparecer, só a mãe da garota aparecia. Como não compareceu ao velório, pode ser até que esteja foragido de novo", acrescentou o promotor.

Everaldo Pereira residia em Maceió, quando deixou a capital alagoana com a família e seguiu para o ABC paulista. Durante as mais de 100 horas em que a filha esteve em poder do seqüestrador, Aldo, como é conhecido em São Paulo, só foi visto quando foi atendido por uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).

* Com informações da Agência Estado

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