Crianças vivem dia de deputados mirins na Câmara

Claudia Andrade
Do UOL Notícias
Em Brasília

O Plenário da Câmara dos Deputados recebeu na manhã desta quinta-feira (23) um grupo diferente de parlamentares. Deputados mirins ocuparam as cadeiras, discutiram e votaram três projetos selecionados entre os mais de 600 que a Câmara recebeu nesta terceira edição do projeto "Câmara Mirim".

Cerca de 400 alunos participaram da simulação de uma sessão plenária, que teve diferenças e semelhanças com uma sessão de verdade. O evento começou com um discurso do presidente da Casa, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP). Ele destacou a importância da democracia e do direito ao voto e incentivou os estudantes a prestarem atenção à política.

  • Divulgação/Agência Câmara

    Crianças posaram para fotos com
    o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, um 'ídolo' para a garotada

  • Divulgação/Agência Câmara

    Cerca de 400 estudantes cantaram
    o Hino Nacional na abertura da 3ª edição da Câmara Mirim

  • Divulgação/Agência Câmara

    Deputados mirins debateram projetos e vivenciaram o 'clima' de uma sessão plenária de verdade

"Quando você começa a participar da política, vai perder o medo da política. Porque às vezes as pessoas acham que quem discute projetos, discute política, não tem valores. Quero dizer a vocês que as pessoas que não participam do debate entregam seu destino na mão daqueles que participam da política", ressaltou.

Projetos
Em seguida, depois da execução do Hino Nacional, os alunos passaram a apresentar os projetos. Este ano, as propostas trataram principalmente de saúde. Frederico Nascimento, 14, de Guanambi (BA), propôs que todas as instituições com mais de dez funcionários devam ter ao menos um funcionário habilitado a exercer primeiros socorros em caso de acidente.

Eustáquio Quintão, 13, de Belo Horizonte (MG), sugeriu a obrigatoriedade do controle e erradicação da verminose em escolas públicas e particulares em todo o território nacional. Ao defender sua idéia, o aluno disse que ele mesmo foi inspiração para o projeto. "Fui vítima de uma inflamação na medula que quase me paralisou os membros inferiores. Uma das causas pode ter sido a esquistossomose, a tênia e outros tipos de verminose. Espero que esse projeto seja aprovado para viabilizar o crescimento sadio dos jovens", disse.

Stephanie Ferreira, 12, de São José dos Campos (SP) apresentou proposta que obriga as cédulas de dinheiro a trazer em braile o valor de face, para auxiliar sua identificação por deficientes visuais.

Os três projetos foram aprovados ao final da sessão, e agora poderão ser adotados pelos parlamentares 'reais'.

Clima
Durante a votação, o Plenário ganhou ares de realidade. No primeiro projeto, depois de ouvir a instrução "quem for a favor permaneça sentado", os alunos ainda não sabiam muito bem o que fazer, e ficaram quietos.

A partir do segundo, no entanto, começaram as "articulações" para se manifestar contra a proposta. "Levanta todo mundo tá?", ouvia-se de um lado. "O que ela falou?", perguntava outra, que não tinha prestado atenção às orientações da deputada mirim que presidia a sessão. Em uma das cadeiras, um aluno rendia-se ao sono. Cenas comuns também nas sessões "pra valer".

Os estudantes puderam ver como funciona o equipamento de votação, a verificação de votos e também tiveram explicações sobre parecer, questão de ordem e outros termos comuns da política.

Tido como aluno engajado em sua escola, Moisés Ferreira, 14, de Belo Horizonte (MG), disse que é importante conhecer a política para melhorar o país. "Senão, quem já é desonesto vai continuar sendo, sem se importar".

Junto com os colegas de escola, Moisés viajou 12 horas de ônibus até a capital federal, na noite da última terça-feira. No roteiro, passeios à Câmara, ao Senado, ao Planalto. "Junto com o colégio é mais agradável, passa mais rápido a viagem".

Lembranças
José Elísio, 13, também visitou os principais pontos turísticos de Brasília com os colegas de Guanambi. Para ele, a experiência foi uma extensão do que já faz em sua cidade, onde é vereador mirim. "Fui escolhido porque eu já tinha sido líder de turma várias vezes, tinha participado do grêmio estudantil, por isso fui o mais cotado."

O segundo secretário da Câmara Mirim de sua cidade disse não imaginar que os projetos dos alunos seriam levados a sério. "A gente discute geralmente questões de infra-estrutura da escola e problemas do bairro, como calçamento e iluminação. A gente leva pra Câmara e os vereadores dão continuidade".

A torcida agora é para que os deputados federais também considerem a proposta apresentada por seu companheiro de escola Frederico Nascimento. "É um projeto muito importante", defende.

Um projeto apresentado por uma estudante de Iracema (CE), em uma edição anterior do Câmara Mirim, foi apadrinhado por deputados e aprovado pela Comissão de Viação e Transportes na última semana. A proposta de Mallena Nogueira proíbe o transporte de estudantes em paus-de-arara.

As crianças que participaram da terceira edição, nesta quinta, terão muitas novidades para contar quando voltarem para suas casas. Algumas lembranças terão destaque, como a de Marina Feres, 14, estudante de uma escola de Brasília que já sabe o que vai dizer para os amigos e a família sobre o que viu no Congresso. "Eu vou falar que vi o Chinaglia", disse, empolgada, para então completar: "Achava que ele era mais novo".

Sua colega Carolina Santana, 13, afirmou ter aprendido muitas coisas interessantes, mas ficou com a impressão de que uma sessão real é diferente do que foi mostrado para os estudantes. "Acho que deve ser um pouco mais organizado."

Este ano, nove escolas - entre públicas e privadas - foram sorteadas para participar da sessão mirim. A maioria da região do entorno do Distrito Federal e de Brasília. Mas também instituições de ensino de São Paulo, Minas Gerais e Manaus.

Mais informações sobre o projeto Câmara Mirim podem ser encontradas no site www.plenarinho.gov.br.

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