Anistia exige apuração de conflito entre policiais federais e índios na Serra do Padeiro (BA)

Do UOL Notícias
Em São Paulo

A Anistia Internacional, órgão independente que luta pelos Direitos Humanos em todo o mundo, demonstrou nesta sexta-feira (24) preocupação com o conflito entre indígenas e policiais federais na Serra do Padeiro (localizada em Ilhéus e municípios vizinhos, no sul da Bahia), decorrente de uma tentativa de reintegração de posse na área por parte das autoridades.

Em documento divulgado hoje, a Anistia exige a investigação independente do caso e a apuração de denúncias de maus-tratos dos policiais federais contra os integrantes da tribo tupinambá, que habita o local.

Mais sobre a questão indígena no Brasil

Índios condicionam libertação de reféns a chegada de material para construção
de escola no Maranhão

A Polícia Federal informou que os agentes encontravam-se na região na segunda-feira (20) para realizar o mapeamento dos locais da reintegração de posse determinada pela Justiça Federal. Índios e fazendeiros brigam por terras localizadas na serra, e a tribo acusa a Funai (Fundação Nacional do Índio) de morosidade em apresentar o resultado do estudo de identificação do território indígena.

Na ocasião, os policiais relataram que foram atacados por alguns índios, liderados pelo cacique, Rosivaldo Pereira da Silva, o Babau. O conflito resultou em agressões a policiais, que dispararam projéteis de borracha para rechaçar a ação dos agressores, explica a polícia. Já a Anistia diz que três índios ficaram feridos após o confronto.

Ontem (23), com um helicóptero e mais de 30 carros, cerca de 100 policiais entraram na serra novamente para cumprir a reintegração de posse e um mandado de prisão contra Babau, expedido pelo juiz federal da Vara Única de Ilhéus, que traz acusações de tentativa de cárcere privado contra o índio. De acordo com informações de um jornal local, além de não deixar que ninguém saísse da aldeia, o cacique também é acusado de destruição de um carro da polícia durante a ação.

A PF afirma que apreendeu diversas armas, entre elas espingardas, lanças e facões com os índios. Os índios, por sua vez, disseram que as armas de fogo não eram deles e que as armas brancas eram instrumentos de trabalho para o cultivo de mandioca. De acordo com Magnólia Silva, integrante da tribo, "eles [os policiais] invadiram nossa casa e reviraram tudo. Carregaram espetos de assar carne e algumas facas e facões." Os tupinambás bloquearam as estradas de acesso à Serra do Padeiro em protesto contra a operação da polícia. O clima é tenso no local e os índios temem que a polícia volte a usar a força contra eles, diz o documento da Anistia.

Para a Anistia, os policiais abusaram da força na tentativa de encontrar o cacique, agredindo familiares do índio e prendendo Jurandi da Silva, irmão de Babau. A comunidade indígena afirma que Jurandi foi espancado pelos policiais e teve que ser encaminhado ao hospital para tratar os ferimentos.

A PF responde, em nota, que Jurandi estava recrutando outros companheiros para impedir as ações policiais na área e acrescenta que ele foi ouvido a respeito dos incidentes e liberado em seguida.

A situação de conflito no local foi sanada momentaneamente, mas as buscas ao cacique vão continuar e a ação de reintegração de posse terá continuidade nos próximos dias.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos