Governo do PR anuncia ocupação de favela no centro de Curitiba para conter criminalidade

Marcus Vinicius Gomes
Especial para o UOL Notícias
Em Curitiba (PR)

O governador do Paraná, Roberto Requião (PMDB), anunciou nesta semana a ocupação da Polícia Militar na favela da Vila das Torres (ex-Vila Pinto) no bairro Prado Velho, em Curitiba, para conter a criminalidade e a guerra entre facções do tráfico.

O policiamento deverá ser feito pela cavalaria da PM e o atendimento das ocorrências em uma unidade móvel da Polícia Civil. Há planos do governo também de construir uma delegacia na favela.

Nos últimos meses, a guerra entre os três grupos que comandam o tráfico na região fez crescer a preocupação dos 9.500 habitantes do local, que temem a matança indiscriminada nas ações da polícia.

Na quinta-feira da semana passada (16), os moradores queimaram pneus e fecharam a rua que dá acesso à avenida Comendador Franco, que liga o centro de Curitiba ao aeroporto internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais, para protestar contra a morte de André dos Santos Neves, 21, em um suposto confronto com policiais na Vila das Torres.

Os moradores criticam as intervenções da polícia militar no local. Enquanto o comando da PM diz que trata-se de confronto envolvendo traficantes e suspeitos de outros crimes, a comunidade alega que os jovens mortos não têm ligação com a criminalidade. Só neste ano, segundo os moradores, dezenas de jovens teriam morrido vítimas da PM.

Um morador, que não quis se identificar, disse à reportagem do UOL, nesta sexta-feira (24), que as operações deflagradas pela polícia na Vila das Torres são truculentas e ineficazes. "Eles (os policiais) invadem as casas e reviram tudo. Para eles todos que moram aqui são bandidos. A forma como abordam as pessoas é constrangedora e isso acaba gerando mais violência e fugindo do controle da polícia", afirmou.

Em agosto deste ano, cerca de 100 policiais da "Força Samurai", equipe da Polícia Militar criada para combater o tráfico de drogas, realizou operação com o objetivo de cumprir 15 mandados de busca e apreensão na Vila das Torres.

A operação culminou com a prisão de quatro homens e duas mulheres envolvidos com o tráfico. Apesar do sucesso da empreitada, os moradores reclamam que a repressão desencadeada acirra a guerra entre as facções de narcotraficantes que lutam pelo controle da região.

"Eles entram aqui, fazem um barulho danado e depois vão embora e nos deixam na mão dos bandidos", reclama o morador.

A favela da Vila das Torres fica encravada na região central da capital paranaense. As casas e barracos estão distribuídos em 36 vielas estreitas, que dificultam o acesso da polícia ao local. A maioria dos moradores da favela é formada por catadores de papel.

Dados recentes divulgados pela Sesp (Secretaria de Segurança Pública) mostram que um em cada quatro assaltos a motoristas na cidade ocorrem nos quatro cruzamentos que ligam o viaduto do Capanema à avenida Comendador Franco. O trecho também abriga pontos de venda de drogas e de prostituição infantil.

Desarmamento
A Sesp não divulga o número de homicídios na região alegando questões estratégicas. O secretário de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, afirmou nesta semana que uma das formas para deter o número de homicídios na Vila das Torres e no restante da cidade, já definida pelo governo, será retomar e intensificar a campanha de desarmamento no Estado, que chegou a pagar até R$ 100 por arma apreendida a policiais e à população em geral.

"A idéia é retomar essa política de desarmamento de armas ilegais em circulação na sociedade paranaense para com isso diminuir o número de homicídios".

De acordo com ele, cerca de 95% dos assassinatos no Paraná são cometidos com armas de fogo. "É uma questão objetiva: quanto menos armas na mão da sociedade, menos crimes vamos ter", explicou Delazari.

O UOL entrou em contato com o major Antônio Zanatta, da Comunicação Social da PM, para falar sobre a operação da PM na favela da Vila das Torres. A pedido dele, foi enviado um e-mail contendo perguntas sobre o asunto. Até o fechamento desta reportagem, no entanto, ele não havia retornado.

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