Índios liberam servidores públicos que estavam impedidos de sair de aldeia

Guilherme Balza
Do UOL Notícias
Em São Paulo (SP)

Os índios timbira (gavião), da aldeia Riachinho, em Amarante do Maranhão (MA), liberaram às 13h (Brasília) deste sábado (25) os três funcionários da Secretaria Estadual de Educação (Seduc) - Iza Quadros, Eliene Pereira Costa e Carlos Alves Viana - que estavam impedidos de sair da aldeia.

A tribo manteve os funcionários como reféns dentro aldeia por uma semana, em razão do descumprimento da promessa do governo do Estado do Maranhão de construir uma escola para os ensinos fundamental e médio. Os três foram liberados após a chegada na aldeia dos engenheiros e responsáveis pela construção da escola. Os materiais da obra estão a caminho do local, informou Daibi Alves Silva, membro da tribo.

De acordo com Daibi, o trato com a Funai (Fundação Nacional do Índio) e a Seduc foi firmado na noite da última quinta-feira. Além da liberação da verba de 230 mil do MEC (Ministério da Educação), os índios também conseguiram mudar o projeto original do prédio da escola. "O Estado fez a planta sem consultar os professores indígenas e os caciques das tribos, então nós fizemos a nossa", disse Joel Gavião. Segundo o cacique, a planta foi refeita para que a escola seja circular, seguindo o tipo de construção das aldeias.

Na última quinta, Joel Gavião, cacique da tribo, afirmou que os servidores estavam sendo bem tratados. "Eles tomam café, almoçam, jantam, podem andar por toda a aldeia e entrar nas casas. Eles não estão presos. Preso é quem fica atrás das grades", afirmou o cacique, por telefone, à reportagem do UOL.

Iza Quadros, também por telefone, confirmou as declarações de Joel: "Estamos todos magoados com a mídia, que erroneamente informa que estamos sendo mal-tratados. Não somos presos, nem reféns. Eu asseguro que estamos bem e apoiamos as reivindicações da tribo. Aguardamos o cumprimento do acordo com a Seduc e a Intercomunidades (entidade que representa as aldeias indígenas do Maranhão)."

De acordo com Cristovão Marques, uma empresa ganhou a licitação e recebeu recursos para a construção da escola, mas não cumpriu o contrato. "A obra será conduzida pela empresa que ficou em segundo lugar no processo de licitação."

Joel promete novas manifestações, caso o governo do estado não construa a escola. "Na nossa aldeia temos cerca de 200 índios. Se contar as aldeias próximas, somos mais de 1.500. Mobilizaremos os índios de toda a região e do Maranhão inteiro se o governo não nos respeitar."

No improviso
Enquanto uma nova escola não é inaugurada, os 80 estudantes da aldeia assistem às aulas em uma pequena escola improvisada. Leandro Gavião, membro da tribo e estudante, diz que as condições são precárias.

"A escola tem apenas uma sala, que é muito pequena. Não ficamos à vontade para estudar. Os alunos são obrigados a assistirem às aulas na cozinha", disse. "Pedimos pacificamente diversas vezes ao governo do Maranhão, que se comprometeu a construir a escola, mas até agora eles não fizeram nada. Pelo o que foi prometido, as aulas deveriam ter começado no início desse ano", completa Leandro.

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Segundo Alcindo Holanda, assessor de imprensa da associação comunitária da região, além de a empresa responsável pela obra não ter respeitado a licitação, a Seduc não está enviando material escolar e didático e merenda para os alunos.

"A Seduc alega falta de recursos e de pessoal, mas nós avaliamos que o problema não é esse, já que a maior parte dos recursos para a construção de escolas em aldeias é proveniente do Plano de Desenvolvimento da Educação (PDE) do governo federal", denuncia.

"As aldeias próximas sofrem com o mesmo problema. A maioria não possui escolas e as que foram construídas não são de boa qualidade", acrescenta o assessor.

Desde às 18h da última quinta-feira (23), a reportagem do UOL tenta o contato com Lourenço Vieira da Silva, secretário de educação do Maranhão.

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