Governo do PR ocupa favela em Curitiba para conter criminalidade

Marcus Vinicius Gomes
Especial para o UOL Notícias
Em Curitiba (PR)

A Secretaria de Segurança Pública do Paraná confirmou na segunda-feira (27) a ocupação da favela da Vila das Torres (ex-Vila Pinto) no bairro Prado Velho, em Curitiba, para deter a guerra entre três facções que comandam o tráfico de drogas e os assaltos na região.

  • Thiago Trentini

    Policial olha RG de homem durante ocupação na Vila das Torres

  • Thiago Trentini

    Operação da polícia visa conter disputa entre três facções

  • Thiago Trentini

    Efetivo policial que ocupará favela deve ser definido nesta terça-feira

  • Thiago Trentini

    Uma garota é revistada por policial do mesmo sexo durante operação

O policiamento deverá ser feito por um destacamento da cavalaria da PM e o atendimento das ocorrências em uma unidade móvel da Polícia Civil. De acordo com o coronel Jorge Costa Filho, novo comandante da PM na capital, o uso da cavalaria é mais eficaz no policiamento ostensivo das 36 vielas estreitas que formam a Vila das Torres, cuja população é de cerca de 9.200 habitantes.

A favela fica localizada no centro de Curitiba, próxima à avenida Comendador Franco (mais conhecida como avenida das Torres), que liga a capital ao aeroporto internacional Afonso Pena, em São José dos Pinhais.

Dados recentes divulgados pela Sesp (Secretaria de Segurança Pública) mostram que 25% dos 246 assaltos a motoristas na cidade em 2007 ocorreram em quatro cruzamentos próximos à favela. O trecho também abriga pontos de venda de drogas e de prostituição infantil.

Costa Filho diz que a PM deve reforçar a vigilância nesses locais a partir da próxima semana. "O objetivo é garantir a segurança daqueles que vivem na vila, a grande maioria composta por trabalhadores, e também aqueles que circulam pela região".

Segundo Costa, o efetivo que ocupará a favela da Vila das Torres deverá ser definido nesta terça-feira (28). Uma das primeiras medidas tomadas será reativar o posto policial localizado na avenida Guabirotuba, que corta a favela.

Em 2005, uma megaoperação envolvendo as polícias militar e civil tomou a favela por cerca de 26 dias, reduzindo o índice de criminalidade a zero.

Em agosto deste ano, cerca de 100 policiais da "Força Samurai", equipe da Polícia Militar criada para combater o tráfico de drogas, realizou operação com o objetivo de cumprir 15 mandados de busca e apreensão na Vila das Torres. A operação culminou com a prisão de quatro homens e duas mulheres envolvidos com o tráfico.

Apesar do sucesso da empreitada, os moradores reclamam que a repressão desencadeada acirra a guerra entre as facções de narcotraficantes que lutam pelo controle da região.

Um morador da Vila das Torres, que não quis se identificar por temer represálias, disse à reportagem do UOL, que a ação de repressão da polícia é ineficaz, uma vez que só garante a tranqüilidade dos moradores durante a operação. "Depois que eles vão embora, os criminosos voltam a atuar tranqüilamente. O que nós defendemos são ações sociais que tenham como alvo os adolescentes, justamente a população de risco mais exposta ao tráfico", afirmou.

Desarmamento
A Secretaria de Segurança Pública não divulga o número de homicídios na região alegando questões estratégicas.

O secretário de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, garantiu que uma das medidas já definidas pelo governo para deter a criminalidade na Vila das Torres e no restante da capital, será retomar e intensificar a campanha de desarmamento no estado, que chegou a pagar até R$ 100 por arma apreendida a policiais e à população em geral.

"A idéia é retomar essa política de desarmamento de armas ilegais em circulação na sociedade paranaense para com isso diminuir o número de homicídios".

De acordo com Delazari, cerca de 95% dos assassinatos no Paraná são cometidos com armas de fogo. "É uma questão objetiva: quanto menos armas na mão da sociedade, menos crimes vamos ter", explicou Delazari.

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