Recém-nascidos trocados em hospital do DF voltam aos pais verdadeiros

Da Agência JB
No Rio de Janeiro

Chegou ao fim ontem à tarde o drama dos casais que tiveram seu filhos recém-nascidos trocados no hospital de Sobradinho, cidade-satélite de Brasília (DF), no fim de semana. Um exame de DNA, realizado pelo Instituto de Pesquisa Forense da Polícia Civil do DF confirmou que as crianças estavam com pais diferentes.

O episódio começou na manhã de sábado, quando o casal José Matos e Fernanda Moreira, ambos de 24 anos, recebeu autorização para voltar para casa, em Sobradinho II. Durante o primeiro banho, a irmã de Fernanda viu que o nome na pulseirinha do menino era de outra mulher.

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É gravíssimo o estado de saúde do bebê que nasceu após a mãe ser baleada em casa, na noite do último domingo (26), em Bangu, na zona oeste do Rio. Os médicos conseguiram realizar o parto ontem, mas a mulher, de 22 anos, não resistiu aos ferimentos

Antes mesmo de procurar esclarecimentos, o casal recebeu uma ligação da direção do hospital. Ao mesmo tempo que eles levantaram a suspeita de troca de bebês em casa, outro casal sofria o mesmo drama na maternidade. Dirléia Kelly e Gilmar Nascimento tinham descoberto o erro minutos antes. O filho deles levava no braço um pulseirinha com o nome de Fernanda.

Os dois meninos nasceram na última quinta-feira (23), dia em que nasceram 12 crianças na unidade de saúde. A direção do hospital agiu rápido e reconduziu a família à maternidade. A suspeita foi registrada na 13ª delegacia de Polícia e, por determinação do diretor da Polícia Civil, Cléber Monteiro, foram colhidas amostras de sangue das duas famílias para verificar se, de fato, os bebês haviam sido trocados.

A Secretaria de Saúde do DF abriu uma sindicância interna para determinar como ocorreu a falha. As normas técnicas de funcionamento de maternidades determinam que, ao nascer, o bebê receba a mesma pulseira de identificação da mãe, ainda na sala de parto. É com esta pulseirinha que ela vai para o quarto e o bebê, para o berçário, caso necessário. Durante a alta, há nova conferência da identificação e só então os dois são liberados, como explicou a chefe da unidade neonatal do hospital, Maria Cristina Barcelar César.

O resultado do exame deixou claro que, de fato, a chefe da unidade neonatal estava certa. O erro aconteceu no momento da entrega do bebês, acredita a diretora do hospital, Cláudia Porto.

"Temos certeza que não houve erro no momento da identificação dos bebês. O problema se deu na entrega, quando a mãe A recebeu a criança B. Também abrimos uma sindicância para apurar a troca. O caso é grave e o responsável pode sofrer desde uma advertência verbal até exoneração do cargo", comentou a diretora.

De acordo com informações da direção do hospital, as duas mães receberam atendimento psicológico. Dirléia Kelly deixou o hospital na tarde de ontem e Fernanda Moreira deve receber alta hoje.

Alívio e choro
Depois de cinco dias de convivência com os bebês trocados, as mães ficaram abaladas ao destrocarem as crianças. A torcida de ambas era que as puleiras estivessem trocadas e não os filhos, segundo José Matos.

"Elas choraram muito, acabaram virando amigas e se comprometeram a conviver com as duas crianças", comentou José Matos, marido de Fernanda Moreira.

A mãe de Dirléia Kelly, Rosana Maria Ferreira, trabalhou na radiologia do hospital, mas foi exonerada na troca de governo. Ela afirmou que conhece a servidora do hospital que entregou seu neto à mãe errada. Segundo ela, a profissional, que ela não quis identificar, é tida pelos colegas como uma pessoa descuidada e negligente com os pacientes.

Rosana Maria optou por retirar Dirléia Kelly do hospital e a levou para junto de suas duas outras filhas, de cinco e dois anos.

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