355 pessoas são assassinadas por mês em SP, mas taxa de homicídios dolosos cai

Do UOL Notícias
Em São Paulo

A taxa de homicídios dolosos (intencionais) no Estado de São Paulo registrou, no terceiro trimestre de 2008, queda de 5% em relação ao mesmo período em 2007, e alcançou o índice de 10,3 por 100 mil habitantes, mas, apesar da redução, 355 pessoas, em média, foram assassinadas por mês em São Paulo neste ano, informou a Coordenadoria de Análise e Planejamento (CAP), da Secretaria de Segurança Pública (SSP) de São Paulo.

Entre 1º de janeiro e 30 de setembro de 2008, foram registrados 3.199 casos de homicídios dolosos, contra 3.654 no mesmo período de 2007, o que representa uma queda de 12% nesse tipo de crime. Na comparação entre os mesmos trimestres de cada ano (primeiro com primeiro, segundo com segundo, etc.), este é o 29º trimestre seguido com queda na taxa dos homicídios dolosos.

Nos meses de julho, agosto e setembro, o número de homicídios culposos (sem intenção) superou o de homicídios dolosos - 1.240 casos contra 1.017. Foram 55 ocorrências de homicídios culposos a menos no terceiro trimestre de 2008, em comparação ao mesmo período do ano passado.

Em 1999, ano com o maior o índice de assassinatos da história do Estado, houve 12.818 homicídios dolosos em São Paulo. Este número correspondia ao patamar de 35,71 assassinatos para cada grupo de 100 mil habitantes. Em 2007, foram 4.877 homicídios dolosos no Estado - 11,92 homicídios por grupo de 100 mil habitantes -, o que representa uma redução de 66% em relação à 99.

De acordo com a SSP, o índice de assassinatos no terceiro trimestre desse ano - que foi de 10,3 por 100 mil habitantes - está próximo do nível considerado "aceitável" pela Organização Mundial de Saúde da ONU. A OMS, no entanto, não usa o termo "aceitável", e sim "não-epidêmico" para classificar taxas de homicídios dolosos inferiores a 10 homicídios por 100 mil habitantes.

Outros crimes
O roubo de veículos registrou a maior queda em relação aos três primeiros trimestres de 2007, com 50.778 casos no ano passado e 44.502 neste ano - diminuição de 12%. Outro ponto considerado positivo pela secretaria foi a redução no número de seqüestros (extorsão mediante seqüestro), com 41 casos nos primeiros nove meses deste ano, contra 88 em 2007 e 89 em 2006, nos mesmos períodos. Em relação ao mesmo trimestre do ano passado, a queda foi de 63,33%.

A SSP contabilizou 6.299 registros de ocorrências envolvendo tráfico de entorpecentes no terceiro trimestre de 2008, número 10% maior do que o verificado no mesmo período de 2007, quando foram registradas 5.677 ocorrências.

Já os registros de roubos a banco saltaram de 58 no terceiro trimestre do ano passado para 63 no mesmo período desse ano. Houve também um crescimento de aproximadamente 10% nas ocorrências de roubo de carga (1.536 para 1.724).

Causas da redução da violência
Em evento realizado em agosto deste ano na Escola de Direito de São Paulo, uma série de entidades - entre elas o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, a Fundação Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados), o Instituto Sou da Paz, o Núcleo de Estudos da Violência da USP e o Ilanud (Instituto das Nações Unidas para a Prevenção do Delito e Tratamento do Delinqüente) - debateram as principais razões para as constantes quedas nos índices de violência no Estado de São Paulo a partir de 1999.

Embora não hierarquizadas, as principais razões, postas em debate pelas entidades, são: o crescimento e o aumento da participação das organizações da sociedade civil no Estado; a redução da taxa do desemprego; a diminuição relativa do número de jovens - faixa etária com mais risco de envolvimento em atos violentos - na população, em decorrência da redução da taxa de fecundidade; maior capacidade de planejamento, gestão e aplicação de recursos em segurança pública por parte da União, Estado e municípios; crescimento dos índices de desarmamento, em virtude, sobretudo, do estatuto do desarmamento; redução das disputas de território por facções criminosas, como o PCC (Primeiro Comando da Capital), em decorrência de uma maior capacidade de organização do crime; e elevação do nível de escolaridade da população.

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