Aumento do acesso a saneamento reduz doenças em crianças em 2007

Rosane D'Agostino
Do UOL Notícias
Em São Paulo


% de crianças de 1 a 4 anos de idade que tiveram doenças infecciosas e/ou parasitárias, por ano

O aumento recente do acesso a saneamento básico no país apresenta reflexos diretos na redução da incidência de doenças infecciosas e parasitárias em crianças. É o que mostra pesquisa realizada pela Fundação Getúlio Vargas, segundo a qual o impacto da falta de tratamento de esgoto é maior sobre crianças de 1 a 4 anos do que de 0 a 1 ano.

Por meio do cruzamento realizado entre dados do PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicícilios) e de mais dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) e do Ministério da Saúde, os pesquisadores relacionaram a causa da mortalidade de crianças com o acesso à rede de esgoto tratada.

A maior redução de doenças infecciosas e parasitárias entre as crianças de 1 a 4 anos se deu em 2007, justamente o ano em que houve um salto no acesso ao saneamento no país. De 2006 para 2007, houve redução de 14,1% nos casos de doenças desse tipo, invertendo uma tendência de crescimento iniciada em 2000, de 4,1% em média por ano.


% de crianças de até 1 ano de idade que tiveram doenças infecciosas e/ou parasitárias, por ano
Conforme dados do Ministério da Saúde, as maiores quedas aconteceram na região Centro-Oeste (23,33%) e Sul (18,78%) e as menores na região Norte (11,39%). A maior queda aconteceu no Maranhão (20,54%) contra Goiás (8,17%).

Já a incidência dessas doenças em crianças de até 1 ano teve diminuição de 20,5%. No entanto, essa tendência já vinha sendo observada. A maior queda também ocorreu no Centro-Oeste (22,35%), e a menor no Norte (18,46%). Já o Estado com maior queda foi Sergipe (39,99%), contra apenas 8,12% no Espírito Santo.

O coordenador da pesquisa e economista da FGV, Marcelo Néri, afirma que, se os investimentos na área continuarem na mesma proporção, seriam necessários mais de 50 anos para que toda a população tivesse acesso a esgoto tratado. Segundo ele, atualmente são investidos 0,22% do PIB (Produto Interno Bruto), quando o ideal deveria ser 0,63%.

"Houve aumento, mas ainda estamos muito defasados. Não basta ter recursos, tem que investir em gestão. Salvador dobrou o acesso a saneamento em quatro anos, enquanto o Rio de Janeiro manteve o mesmo índice", afirma. Ainda de acordo com Néri, o problema também é político, já que obras de esgoto não são vistas. "O esgoto é enterrado, é um problema que atinge crianças, que não têm voz nem voto", completou.

O município com maior acesso a saneamento do país é São Caetano do Sul, onde 98,6% da população utilizam o serviço.

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