Mãe é presa por deixar filha acorrentada no Mato Grosso

Eduardo Penedo
Especial para o UOL Notícias
de Cuiabá (MT)

A polícia prendeu uma mulher acusada de agredir com uma corrente e prender a filha de 11 anos ao pé da cama, no bairro Padre Duílio, na periferia da cidade de Juína, localizada 735 quilômetros de Cuiabá (MT).

A acusada, Lucinéia Nunes dos Santos Medeiros, segundo a polícia, agredia a menina e dizia que fazia isso porque ela seria desobediente. A menina era ainda impedida de sair de casa, até mesmo para ir à escola.

Segundo o Conselho Tutelar, um vizinho denunciou o caso no dia 28 de outubro, quando a garota invadiu o seu quintal fugindo da mãe, que a agredia com uma corrente. A menina está com hematomas no olho e nos membros inferiores. A agressora foi presa em flagrante por volta das 23 horas do mesmo dia. Durante a fuga da jovem, o vizinho da adolescente usou um pedaço de pau para atacar a mãe e tentar impedir que ela agredisse a filha com a corrente.

A conselheira Josefina Bim Budnik, que acompanha o caso, explicou que a acusada usa medicamentos controlados misturados com bebidas alcoólicas. "A mãe tem problemas mentais. Ela toma medicamentos de manhã e a tarde, mas bebe pinga o dia todo, mesmo se medicando", disse a conselheira.

A adolescente informou ao conselho que saia muito de casa por preferir ficar na rua a em casa para ficar buscando bebida para a mãe. O caso já é acompanhado há algum tempo pelo Conselho Tutelar e, durante uma vistoria na residência da vítima, foram encontradas as correntes e cadeado nos quais a menina ficaria presa.

"Na ocasião, ela estava solta e relatou o aprisionamento", informa. A primeira visita ocorreu depois que a escola em que a menina está matriculada notar uma ausência prolongada da garota.

De acordo com o conselho, o pai da adolescente trabalha em uma fazenda em Rio Preto (MT). A Justiça ainda teria determinado que ele fosse procurado pelo Conselho Tutelar.

No momento da prisão da mãe, a bisavó da menina foi quem se responsabilizou pela adolescente. A bisavó disse não ter condições de cuidar da bisneta, que foi, então, encaminhada ao Lar das Crianças, onde está sendo acompanhada por psicólogos.

Segundo o delegado José Carlos de Almeida Júnior, Lucinéia já tem passagem pela polícia por tentativa de homicídio. O delegado disse ainda que a acusada confirmou que utilizava pedaços de madeira e correntes para bater na filha. Um vizinho e um freqüentador da casa de Lucinéia teriam confirmado as denúncias em seus depoimentos.

Segundo ele, o inquérito foi concluído e agora só depende da decisão da juíza para dar os encaminhamentos no processo. "É ela que vai decidir se a acusada irá responder por tortura, maus tratos ou lesão corporal". Lucinéia está, no momento, sem advogado. Um defensor público deve ser nomeado para o caso.

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