Polícia do PR prende 59 acusados de fraudar serviço de telefonia

Marcus Vinicius Gomes
Especial para o UOL Notícias
Em Curitiba (PR)

Cerca de 200 policiais civis cumprem desde a manhã desta terça-feira (4) 73 mandados de prisão nos três Estados da região sul do país (Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina). No total, foram efetuadas 59 prisões, segundo balanço da Secretaria de Segurança Pública divulgado até as 18h30. A operação batizada de "Espectro" pelo Cope (Centro de Operações Policiais Especiais da Polícia Civil do Paraná) tem por objetivo desmantelar um esquema de fraude no serviço de telefonia que pode ter causado prejuízo de R$ 7,5 milhões à Brasil Telecom. Entre os presos, estão ex-funcionários da operadora telefônica.

Apontado como o líder da quadrilha e mentor do esquema, Vandré de Oliveira Araújo, 24 anos, foi preso no bairro Boqueirão, em Curitiba, às 6h15 da manhã desta terça-feira e não reagiu. No local foram encontrados documentos, comprovantes de pagamento, dois notebooks, memórias de computador e papéis com números de telefone. Além de Araújo foram detidos outros 34 suspeitos em Curitiba, 15 no interior do Estado e nove em Santa Catarina.

  • Thiago Trentini

    Vandré de Oliveira Araújo, acusado de ser o mentor da quadrilha, foi preso no bairro Boqueirão, em Curitiba, às 6h15 da manhã desta terça-feira e não reagiu

A quadrilha criou uma espécie de "Central de Operadora Paralela" que funcionava no bairro Santa Cândida para diminuir a conta de clientes da operadora telefônica Brasil Telecom. Uma pequena parte do valor da conta era pago à operadora e o restante ficava com os bandidos.

O esquema estava sendo investigado pelo Cope desde dezembro de 2007, a partir de uma denúncia da Brasil Telecom, que detectou a fraude. De acordo com o delegado Francisco Alberto Carici, que comandou as investigações, a quadrilha era comandada por Vandré, que já trabalhou em empresas especializadas em telefonia, e agia nos três Estados do sul do país por meio de uma rede de pessoas de confiança.

Vandré comandava outras nove pessoas - incluindo sua sogra e alguns amigos - que eram os responsáveis por angariar pessoas que quisessem se beneficiar com a fraude da quadrilha. O serviço começou sendo oferecido para pessoas próximas e foi sendo expandido.

Segundo Caricati, todas as fraudes eram possíveis graças a funcionários da Brasil Telecom que o próprio Vandré e pessoas de sua confiança aliciavam.

"Eles recebiam uma espécie de aluguel semanal de suas senhas de acesso e de segurança do sistema da empresa", afirmou o delegado.

De posse delas, Vandré conseguia entrar a qualquer hora no sistema, abrir ordens de serviço e autorizar as mudanças solicitadas pelos clientes. "As modificações nos valores das contas eram bastante significativas, chegando a ser diminuídas para R$ 0,02", explicou o delegado.

Os beneficiários com o golpe da quadrilha pagavam 50% do valor devido para os aliciadores, que repassavam na maioria das vezes a metade deste valor para Vandré.

Segundo policiais, a quadrilha funcionava desde 2003 e teria sido iniciada por Jeanete Zilli, ex-funcionária da Brasil Telecom que já faleceu. O delegado Caricati afirma que foi ela quem passou todas as informações para que Vandré desse continuidade ao esquema, que rendeu aos bandidos R$ 1,5 milhão por ano, segundo cálculos da polícia.

De acordo com Caricati, a Brasil Telecom começou a desconfiar do golpe depois de perceber que uma grande quantidade de retificações nos valores de diversas contas estavam sendo feitas por um mesmo funcionário. "Ele era o encarregado de emitir a ordem de serviço autorizando a mudança no valor da conta telefônica", contou Caricati.

Em Cascavel, na Região Oeste do Paraná, a polícia prendeu com um casal, que também participaria do esquema, com 7 computadores (2 portáteis), pen-drives e um celular.

Há informações não confirmadas de que os fraudadores também estariam agindo em outras operadoras telefônicas como a Vivo e a GVT. "Vamos investigar com precisão, mas pelo que recolhemos há indícios que outros serviços de telefonia também foram vítimas da quadrilha", disse o delegado.

O secretário de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, avaliou a operação como "extremamente profissional" e elogiou o uso da tecnologia no trabalho de investigação para desbaratar a quadrilha. "O uso das mais modernas técnicas de inteligência policial foi feito pelo Cope em conjunto com o Poder Judiciário, o que prova mais uma vez que a utilização da tecnologia no trabalho de investigação só faz com que a sociedade ganhe com isso", afirmou.

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