"Foi uma atitude absurda e irresponsável", diz Beltrame sobre envio de fuzis pelos Correios

Júlio César Trindade
Do UOL Notícias
No Rio de Janeiro

O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, José Mariano Beltrame, classificou como "absurda e irresponsável" a atitude da Imbel (Indústria de Material Bélico do Brasil) de enviar pelos Correios 80 fuzis destinados ao Batalhão de Operações Policiais Especiais, o Bope, na última sexta-feira (31).

Governo do Rio x Exército

O Rio de Janeiro deu cinco dias para a empresa Imbel explicar a entrega de fuzis em agência dos Correios. A empresa, vinculada ao Exército, afirmou que tem acordo com a institutição e que a entrega está dentro das normas de segurança. Em nota, o Exército disse que os Correios tem "capacidade técnica-profissional comprovada para a realização desse serviço especializado, que envolve o assunto em questão"


Beltrame concedeu entrevista coletiva na tarde desta quarta-feira (5) na sede da secretaria para comentar a operação de combate à máfia das vans. Porém, questionado por jornalistas, acabou respondendo às perguntas sobre a entrega dos fuzis.

O secretário descartou rescindir o contrato com a empresa, pois ainda há armas para serem entregues. "Se rescindir o contrato, teria prejuízo porque têm armas que ainda não chegaram", esclareceu o secretário.

Em nota oficial, a Secretaria de Segurança afirmou que o Bope necessita com urgência do equipamento e a empresa tem hoje a exclusividade de fornecimento em território nacional dos fuzis 762 e fuzis de precisão.

Segundo Beltrame, em razão desta exclusividade, teria que ser feita uma licitação internacional para que a fornecedora seja trocada. "Como essa empresa detém o monopólio, nós teríamos que partir para a licitação internacional, que é demorada. Mas se não houver outro jeito, a faremos", esclareceu.

Envio de fuzis por Correios será investigado, diz Jobim

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou hoje que mandou investigar o envio de 80 fuzis pelos Correios. Jobim considerou "um equívoco" e "um absurdo" a remessa. Já o comandante do Exército, general Enzo Martins Peri, observou que a legislação permite o envio de armas pelos Correios


Entenda o caso
Na última sexta-feira (31), funcionários da agência dos Correios do Largo do Machado, na zona sul do Rio, entraram em contato com o Bope para que policiais fossem buscar uma remessa enviada pela Imbel de 16 caixas, contendo cinco fuzis em cada uma.

A entrega correspondia ao segundo lote de armamentos para reequipar a Polícia Militar. Em nota oficial, a Secretaria de Segurança explica que o primeiro lote foi entregue na sede do Bope, em Laranjeiras, zona sul do Rio.

O governo do Rio de Janeiro exigiu explicações sobre o caso em um ofício enviado na última terça-feira (4) à Imbel. A subsecretaria de Gestão Estratégica, que responde pela compra das armas, pediu cinco dias úteis para que a empresa comente o que houve. Se a subsecretaria não obtiver resposta, o governo vai abrir um "procedimento administrativo" para esclarecer o fato.

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