Mais de 900 pessoas já procuraram hospitais de Itapetinga (BA) com sintomas de intoxicação

Gabriel Carvalho
Especial para o UOL Notícias
Em Salvador (BA)

Trabalhadores da empresa de laticínios Valedourado, localizada no município baiano de Itapetinga, a 542 quilômetros de Salvador, são os mais novos pacientes dos hospitais Cristo Redentor e Santa Maria, principais referências em atendimento de urgência da cidade. Eles apresentam os mesmos sintomas dos funcionários da fábrica de calçados Azaléia, que lotam as unidades desde o último dia 1º, alegando diarréia, vômitos, náuseas, tonturas e dores de cabeça.

Segundo a direção do Santa Maria, somente nesta quarta-feira, 150 pessoas já passaram pela unidade com sinais de intoxicação. O secretário de Saúde do município, Rodolfo Schettini, estima que mais de 900 pessoas deram entrada nos dois hospitais nos últimos cinco dias. "E esse número nem pode ser precisado, pois muitas pessoas sequer preencheram o cadastro formal".

Azaléia diz que procura identificar causa de
mal-estar de funcionários

A Vulcabras, empresa responsável pela unidade Azaléia de Itapetinga (BA), afirmou, em nota divulgada por sua assessoria de imprensa, que está procurando identificar a causa do mal-estar que atingiu centenas de seus funcionários desde sexta-feira (31/10)

Schettini afirmou ainda que a Vigilância Sanitária do município recolheu amostras de água da fábrica de calçados e enviou para o Laboratório Central da Secretaria da Saúde do Estado, localizado na capital, para que a análise fosse mais detalhada. Até o fim da tarde desta quarta-feira, 5, data prevista para a divulgação do resultado dos exames, o documento que viria de Salvador ainda não tinha chegado às autoridades do município. "Sem esse resultado, não podemos afirmar nada", disse o secretário.

Devido a grande demanda, a direção do Hospital Cristo Rendentor precisou improvisar e o atendimento foi prestado a centenas de pessoas nos próprios corredores da unidade. Neste momento, não há pacientes internados, mas 120 pessoas se encontram em observação ou aguardando atendimento.

Outro problema enfrentado tanto no Santa Maria como no Cristo Redentor foi a falta de medicamentos, que tiveram que ser adquiridos em farmácias da cidade. Além disso, profissionais como enfermeiros e técnicos de enfermagem foram contratados pela Azaléia e pela prefeitura para serem "emprestados" ao hospital.

Em nota, a Azaléia - que possui cerca de 9.500 funcionários na planta industrial de Itapetinga - informou que está trabalhando em conjunto com a Vigilância Sanitária do município, com a prefeitura e com o Hospital Cristo Redentor para identificar as causas de tais ocorrências. "A empresa também está disponibilizando todos os medicamentos solicitados pelo Hospital Cristo Redentor para o tratamento dos pacientes", informa o documento.

A empresa, por meio de sua assessoria, afirmou também que análises preliminares da água potável oferecida no interior da fábrica pela concessionária pública não identificaram quaisquer anomalias. "Independentemente dos resultados, a empresa já providenciou nova desinfecção de todos os reservatórios de água, bem como a troca dos filtros. A empresa também disponibilizou água mineral e copos descartáveis aos colaboradores", diz o texto.

Em contato com a reportagem de UOL, a assessoria de comunicação da Valedourado negou que qualquer funcionário da empresa tivesse apresentado quaisquer dos sintomas de intoxicação, "apesar de a fábrica de laticínios possuir o mesmo fornecedor de alimentos da Azaléia".

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