Paraná retoma campanha do desarmamento e paga R$ 300 por arma

Marcus Vinicius Gomes
Especial para o UOL Notícias
Em Curitiba (PR)

O aumento dos crimes por armas de fogo em Curitiba e na Região Metropolitana fez com que o governo do Paraná decidisse nesta semana retomar a campanha de desarmamento, que durou cerca de seis meses em 2004 e depois foi encampada pelo governo federal e estendida para todo o território nacional.

Números polêmicos

O secretário de segurança do PR, Luiz Fernando Delazari, contesta dados do governo federal e diz que houve 599 homicícios em 2006 em Curitiba, e não 874. Para ele, os dados dos órgãos federais levam em conta só a causa da morte, e não determina sua tipificação penal. Ele cita um exemplo ocorrido no Estado: numa briga entre vizinhos, um homem atirou e matou a vizinha e o filho dela. Depois, Jair se matou. No relatório, as três mortes aparecem como 'ferimento por arma de fogo', e poderiam ser considerados como assassinatos.

O anúncio foi feito pelo secretário de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari, anteontem (6) na Escola de Governo - reunião semanal promovida pela administração estadual -, após confirmar a assinatura do decreto pelo governador Roberto Requião.

A retomada da campanha prevê o aumento da recompensa para os policiais e cidadãos que apreenderem armas ou as entregarem para a polícia. A partir de agora, o valor do prêmio é de R$ 300, o triplo da recompensa anterior (R$ 100).

Segundo Delazari, a "retomada da campanha do desarmamento, com o aumento da gratificação", tem como principal objetivo estimular policiais e a população a retirar as armas de fogo de circulação.

A campanha ressuscitada pelo governo do Paraná coincide com a escalada de violência registrada na capital paranaense e nos municípios que integram a Região Metropolitana no estado. No período de 3 de janeiro a 10 março deste ano ocorreram só na Grande Curitiba 384 homicídios (197 na capital), segundo levantamento divulgado pelo jornal "Gazeta do Povo". Destes, 252 foram cometidos com armas de fogo. Ou 65,6% do total.

Os número mostram ainda que, em pouco mais de dois meses, a soma de mortes violentas em Curitiba já representava um terço dos 589 assassinatos contabilizados em 2007 pela Secretaria de Segurança Pública na capital.

O Mapa da Violência dos Municípios Brasileiros divulgado neste ano pelos ministérios da Justiça e da Saúde mostra que Curitiba tornou-se uma das capitais mais violentas do país, com taxa de 44,7 homicídios por 100 mil habitantes, à frente de cidades como São Paulo e Belo Horizonte e muito próxima do Rio de Janeiro. A secretaria contesta os números.

A lei do desarmamento lançada no Paraná entrou em vigor em 2004 e durou seis meses, até que fosse absorvida pelo governo federal. Durante esse período, o governo do Paraná apreendeu mais de 20 mil armas, número seis vezes maior que o do ano anterior (3,5 mil).

Em março deste ano, o ministro da Justiça, Tarso Genro, também anunciou a segunda edição da campanha de desarmamento no país, com a estimativa de apreender o mesmo número de armas da campanha anterior - cerca de 500 mil. O orçamento previsto era de R$ 46 milhões. Apesar do lançamento oficial, no entanto, o governo recuou da decisão e congelou a campanha até o ano que vem.

Receba notícias do UOL. É grátis!

Facebook Messenger

As principais notícias do dia pelo chatbot do UOL para o Facebook Messenger

Começar agora

Receba por e-mail as principais notícias, de manhã e de noite, sem pagar nada. É só deixar seu e-mail e pronto!

UOL Cursos Online

Todos os cursos